quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

"Diversão para toda a família não existe"

Postado por MissHachi7 às 19:08
E o mundo começou a derreter.
- Acorda, Dayana!!
Ah, o mundo não estava derretendo. Era só seu irmão caçula, Denis, derramando um balde de água em sua cabeça.
- Putz, anda logo! A mamãe e o papai estão a ponto de te largar aqui. Se você não der sinal avisando que tá viva, eles vão deixar pra te enterrar quando voltarem.
-Tô com sono. Tô cansada. Aonde eles vão? Me enterrar? – ela gaguejou, sonolenta.
- Acorda primeiro. Tenta assimilar as informações mais tarde. – ele sacudiu a cabeça, e saiu do quarto.
Dayana sentou na cama, balançou a cabeça, espirrando água para todos os lados.  Escutou o pai gritar do corredor:
- Dayana, você tem exatamente quatro minutos e seis segundos para estar pronta e com a mala feita lá embaixo. Não me faça ir aí dentro.
- Pai, não pira. Tô indo. Cinco minutos. – mentiu. A mala ainda nem tinha sido tirada de cima do armário.
- Cinco você tinha há... um minuto. Quatro, a partir de agora. Três e cinqüenta e oito, três e cinqüenta e seis...
- Pai, já ouvi!
- Tudo bem. Três e cinqüenta e três....
- Pai!
- Certo, estamos todos lá embaixo. Anda logo.
Ela tentou acelerar, vestiu a primeira roupa que viu na sua frente, começou a jogar conjuntos na mala que demorou a conseguir tirar do esconderijo. Ouviu o pai berrar do pé da escada:
- Vinte e cinco segundos!!
“Tudo bem, eu escovo os dentes no caminho”, pensou. Chegou ao topo da escada e jogou a mala, que acertou a cabeça do pai.
- Ai! O que foi que desceu a escada em alta velocidade? – ele berrou.
- Desculpa aí, pai. Minha mala.
-Ótimo, que bom que está aqui. Todos prontos? Ótimo. – ele repetiu, esfregando a cabeça.
- Quer uma aspirina, querido? – perguntou a mãe, preocupada com qualquer problema que pudesse decorrer do acidente.
- Não, querida. Cadê o Denis?
- Não sei, ele estava aqui agora mesmo!
- Cuidado, seres! Numa atitude extremista, eu, DENIS, vou descer a escada sobre a mesinha da sala! – gritou o garoto, ajeitando o corpo entre as pernas do móvel.
- Denis, saia daí! Temos que ir!
- Mas, pai, isso vai revolucionar a história da família! – ele choramingou, abraçando a mesa, que oscilou perigosamente, ameaçando escorregar.
- Desça agora, mocinho. Você surfa a escada com isso aí quando voltarmos do passeio.
- Desde quando essas torturas são chamadas de passeio? – Dayana gritou, de braços cruzados.
- Acampamentos em família não são torturas. É bom ficar longe de computadores e celulares por um tempo. – o pai argumentou, empurrando as malas em direção à porta.
- Eu não vou! – teimou a garota.
- Ah, você vai sim, mocinha! – a mãe se intrometeu. E, baixando a voz: - Estou contrabandeando meu notebook, te empresto quando chegarmos lá. Agora entra nesse carro, pelo amor de Deus. Se seu pai arrumar mais alguma neura, eu não sei do que sou capaz.
Contrariados, os filhos entraram no carro e se sentaram no banco de trás. A mãe estava aliviada e o pai radiante. Ah, mais uma família feliz indo para uma maratona de quatro dias na vida neandertal... quer dizer... natural.

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