quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Filosofia rasa.

Postado por MissHachi7 às 19:02
Toda vez em que escrevo tenho que assumir o papel de outra pessoa. Acredito que nunca escrevi uma linha sequer tendo como base o meu próprio ponto de vista. Nunca parei para pensar em minhas próprias considerações, minhas próprias observações sobre o mundo que me rodeia. Quem eu sou? Céus, creio que nunca parei para pensar nas minhas observações sobre o mundo que eu sou, sobre meu interior e todas as conclusões reveladoras que eu poderia tirar a partir dessa experiência.
          E sei por que fiz isso até hoje. Tenho medo. Morro de medo de ter que me enfrentar. Todos os dias, assumo um roteiro para interpretar. Assumo as ideias de outras pessoas. Adquiro estilos literários que já vi. Amo quem me disseram que devia amar. Repito conclusões a que tenho acesso. Nunca tentei pensar sozinha. Tenho medo de cair. Tenho medo de encontrar um enorme nada. Tremo ao imaginar a amplitude do provável vazio. Minhas ideias podem ser sem nexo. Meus pensamentos podem ser incoerentes. Nesse exato momento posso estar falando como um repórter que vi no jornal da manhã. Posso estar agindo como qualquer pessoa, sem nem saber disso. Posso estar tentando achar meu estilo próprio numa mistura descoordenada de estilos pré-adotados. Tento me encontrar em cada palavra, em cada ideia, em cada novidade. Mas eu me perco em cada vírgula que me divide da oposição implacável da consciência.
          Sim, essa está sempre de pé. Me dizendo que deveria me escolher. Quem eu sou? Quem eu gostaria de ser? Quem eu realmente poderia ser, considerando-se todas as possibilidades a que já me propus, e todas as que o mundo já me colocou à frente? Será que sou realmente alguém? Talvez eu devesse simplesmente agir como uma mistura de tudo, ou seja, um verdadeiro nada. É assim que a maioria das pessoas vive, sem se dar conta. É assim que a maioria vive feliz. Ah, grande: não faço parte da maioria. Sempre fiz parte dos pequenos, dos diferentes. E as diferenças que eu sempre apresentei foram as que eu já havia encontrado. Em grandes pensadores. Em amigos. Em idiotas. No mundo, em geral. Sou um reflexo do mundo. O mundo não é nada.
          Sempre que tento chegar à alguma conclusão sobre isso, percebo que há algo como uma grande cortina tapando tudo. É como se houvesse um “eu” a ser descoberto, mas todos quisessem que eu fique longe dele. Na verdade, durante toda a história da humanidade tem sido assim. Não querem que descubramos quem somos, pois seríamos, talvez, melhores  que a maioria [maldita maioria. Não fosse por ela, não haveriam minorias!] e consequentemente, nos destacaríamos. Nesse mundo, não querem que sejamos melhores. Todos querem que sejamos um grande número de cópias semi-vivas (pois quem não sabe quem é simplesmente não vive – só sobrevive). Moldados pela mídia de massa e pelas ideias corrosivas de governos ultrapassados pela lei. Dane-se a censura. Minha cabeça precisa ser aberta e ninguém pode fazer isso. Porque ninguém faz isso. Não sabem que têm mentes fechadas, e não sabem que poderiam tentar abri-las. Estou sozinha nessa tentativa. Mas algum dia, talvez, me encontre. E pare de usar frases feitas, palavras repetidas ou propósitos ultrajantes. E não terei como contar a vocês. Pois nunca saberia que essa máquina que vos escreveu era eu, com uma cabeça fechada pela falta de imaginação e de auto-conhecimento.

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