quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Humildade x Orgulho

Postado por MissHachi7 às 18:56
  Passagens felizes dificilmente são esquecidas, e isso é muito bom. Infelizmente, as tristes se perpetuam com mais eficiência, e, portanto, pensando em minha infância com um mínimo de interesse, destacam-se fatos pouco venturosos. 
  Por exemplo, eu poderia citar o dia em que fui levada à presença da diretora da minha então atual escola, pelo simples fato de que convenci toda uma sala de quintanistas a ignorar uma colega detestável. 
  O que ela chamou de "atitude repreensível pela óbvia falta de coleguismo e senso de trabalho em grupo", eu chamaria de "prova irrefutável de um magnetismo pessoal inegável". Mas claro que tal eufemismo não me ocorreu, na época. 
  A colega em questão era, relamente, um ser fragilizado. Eu a havia deixado sem amigos, sem chão. E ela nunca fizera nada de mau para mim, mas do alto dos meus dez anos, qualquer pessoa incômoda era um obstáculo a ser retirado do caminho. Como a garota não tinha o mínimo de discrição para com os segredos que circulavam em meu seleto grupo de subordinados (sim, pois AMIGOS de verdade não teriam me entregado tão facilmente - nem sequer foi necessária a tortura psicológica para que me delatassem de bom grado), devia ser excluída. 
  Mas a desprezível levou a mãe até a escola, e, depois de pequena cena dramática (que envolvera lágrimas e murmúrios apaixonados de "Ela não merece ISSO!"), fui chamada à diretoria. Senti a Sra. P. me fuzilar com os olhos (provavelmente era apenas um olhar severo, mas com meu nervosismo, tudo parecia maior, pior...), ouvi uma pequena palestra sobre os Valores Humanos, consegui uma aula extra para toda a turma (algo sobre respeitar os colegas, by professor de Filosofia), e tive que pedir desculpas à colega maltratada. 
  De todas as consequencias, a última doeu mais. E é meio impossível esquecer a primeira lição de humildade forçada cérebro adentro. 
  Mas, concluindo agora, essa recordação, apesar de péssima, foi o que me seguiu até hoje, sempre me lembrando do porquê de ser menos orgulhosa: sempre há uma "Sra. P." para nos fazer engolir o pedestal (sem exagero) e pedir desculpas. Abraçando a coleguinha.

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