quinta-feira, 31 de maio de 2012

Nostalgia

Postado por MissHachi7 às 21:50 0 comentários
     Hoje eu acordei com tanta pressa (porque minha mãe me mandou levantar às 7, e quando olhei no relógio, eram 10 horas e eu não tinha feito NADA do que precisava fazer antes das 11. Leia-se, estava FU****) que só parei pra me dar bom-dia depois das duas da tarde.
     Aí fiquei com muita saudade daquela época que eu só tinha que levantar cedo por causa dos desenhos que passavam no programa da Angélica, e alguém teria que correr muito pra me convencer a fazer tarefa, tomar banho e almoçar antes que um outro indivíduo pirasse pra me levar na hora pra escola.
    Acho que é por eu ter sido uma ingrata nessa fase que agora eu sou todos os que tem que correr nessa história, e minhas irmãs são as Alines. BRINCANAGEM, essa TV Globinho passar exatamente na hora em que eu preciso que elas mastiguem o almoço que eu MORRI pra fazer a tempo.
   Sinto saudade de comida de verdade, de não ter que comer o que eu faço. 
    Estou nostálgica agora, desculpa.

Musicando

Postado por MissHachi7 às 21:43 0 comentários

    A importância da música é inegável. Em alguns momentos ela pode traduzir exatamente o que estamos sentindo; em outro, mudar nossas concepções sobre certos eventos em nossa vida, e acabamos desconfiando de que tem alguém [muito desocupado] que fica nos observando e escrevendo, compondo precisamente o que vivemos e necessitamos ouvir. Afinal, música é um excelente iniciador de conversas, uma forma genuína de decidirmos se a pessoa parece conosco ou não, e nos acalenta de uma forma que é até difícil explicar.
      Depois que inventaram os walkmans, passamos a viver em universos muito próprios, geralmente isolados em nossos pensamentos, tendo a trilha sonora perfeita para cada momento por que estamos tendo que passar. É claro que passamos a prestar menos atenção na hora de atravessar a rua, mas estou aqui para ressaltar os pontos positivos.
     Tem certas músicas que terminam de nos levar ao fundo do poço, mas de uma forma que sentimos que não chegaremos lá sozinhos.  Algumas nos fazem sentir que o céu é o limite, e que podemos atravessar qualquer obstáculo, e que se temos objetivos claros, podemos alcançá-los. Não me lembro de grandes momentos que não estejam associados a grandes músicas.
     Cada pessoa que eu conheço tem uma música tema, para mim. Cada lugar, idem. Cada saudade, cada sentimento... Dessa forma, o silêncio raramente é pleno e puro. Eu gosto muito do silêncio, mas quando ele é do lado de fora. Aqui dentro, meus queridos... é sempre volume máximo.

Os meus manos

Postado por MissHachi7 às 21:40 2 comentários

    Os amigos de vocês são tão incríveis quanto os meus? Bem, comparemos. Eu tenho amigas que são escritoras, e que quando vêm para minha casa, deitamos nos sofás e no chão, comendo pipoca com ketchup, brigadeiro e sorvete, enquanto discutimos as histórias dos livros de cada uma. Tenho amigos muito engajados politicamente, que quando vêm aqui, falam seriamente sobre os problemas burocráticos que o corpo discente tem passado para se fazer presente nas discussões da greve. Tem aqueles que vêm assistir seriados aqui, todos nós esborrachados nos sofás, comendo chocolate e rindo à toa.
    Tem os que eu nunca vi pessoalmente mas cuja presença sinto em várias decisões que sou obrigada a tomar e cujo carinho eu sinto sem interferência da distância. Tenho amigos que eu vejo a cada três anos e que mesmo assim são considerados melhores amigos, por sempre quererem o melhor pra mim e por estarem sempre  participando da minha vida. Há as vegetarianas que me fazem rir e me conquistam sempre com o respeito e carinho que sentem por todos e por tudo.  Sem falar nos que me ajudam a superar minhas constantes crises. 
    Os que me lembram de que nem tudo que é “comum” é “normal”. Que me lembram quem eu sou. Os que me conhecem melhor do que eu. Os que me dão bronca e me fazem andar mais no caminho certo. Os que querem me levar pro caminho errado por um momento e depois voltar comigo. Que riem comigo, que dançam, que fazem piada do meu quarto zoneado. Os que nunca vão, os que vão de repente.
    Enfim. São os melhores.

O modo ou o motivo?

Postado por MissHachi7 às 20:22 0 comentários
     "Como foi que eu vim  parar aqui?" É o tipo de pergunta que eu costumava fazer a mim mesma chorando. Mas graças a um amigo, acredito que eu tenha desenvolvido um pouco mais de fibra moral pra lidar com esse tipo de questionamento. Agora eu só tenho vontade de chorar, mas não cai nenhuma lágrima. Agora eu tenho uma resposta mais ou menos satisfatória. Ela não me alegra, mas pelo menos não me desespera tanto quanto não fazer ideia de como eu cheguei aonde estou. Eu vim parar aqui graças a uma infinidade de linhas de força que me conduziram livremente até um ponto em que eu finalmente consigo enxergá-las (pelo menos parte delas, ok).
     A Esquizoanálise não me salvou apenas por me amarrar ao curso de Psicologia, mas também por me explicar muitos problemas que eu achava serem insolúveis (ou que achava que a solução era muito foda pra ser verdade). Eu percebi que sou muito pequena, sabe? - não fisicamente, haha. Tem tantas milhões de pessoas que influenciam a minha existência, e tantos acontecimentos que eu não percebo mas que determinam terminantemente meu viver, e tantas "coincidências" surgindo todos os dias que me tornam quem sou, que no final das contas eu mesma sou uma ENORME coincidência, um ponto que surgiu na ocasião de várias sobreposições de linhas num rizoma. E isso não diminui minha fascinação pelo meu ser em mim. 
      Na verdade, ser alguém tão vagamente planejada em escala cósmica me faz pensar que realmente deve haver um bom motivo para que eu exista. Não que eu tenha uma grande missão [talvez eu tenha... mas não me lembro da minha última assertiva antes de nascer], mas acredito que eu precise executar no mínimo um grande ato nesse meu tempo na Terra. Quem sabe o grande ato seja grande apenas para mim? Por exemplo, conseguir ficar mais de um mês sem matar academia? - Viu? Soa uma coisa estúpida e insignificante, mas eu preciso aprender a ter disciplina para evitar a voltar pra hipertensão. 
     Então pode ser que eu tenha parado por aqui para crescer pessoalmente, e eventualmente dar um toque em quem fica por perto. Eu vejo muito mais amigos meus me ajudando a me construir do que me vejo os ajudando a construir quem eles são. Mas de novo, eu levei muito tempo para ter um vislumbre das MINHAS linhas de força, provavelmente levarei muito mais para compreender a extensão das motivações alheias. Assim, o que importa não é "como" eu vim parar aqui, mas "para quê". E estou no meu caminho para descobrir, atravessando esse mundo meio quebrado.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Senso de oportunidade

Postado por MissHachi7 às 02:56 0 comentários
     Enquanto eu refazia minha lista de defeitos (atualizo-a a cada dois meses), vi que tinha riscado "não ter desconfiômetro", mas não me lembrava do motivo, e fui perguntar a um amigo se ele se lembrava por que eu tinha decidido que havia adquirido semancol nos dois meses anteriores. 
     E ele engasgou, ficou monossilabando ("ééhh... ahhh... hum..."), pediu licença à namorada e quando atingimos uma distância segura, gritou que era porque eu tinha conseguido calar a boca durante uma situação delicada na semana passada.
     Foi engraçado, porque [ele contou], estávamos numa rodinha bem amigável, quando a namorada chegou, e alguém comentou que ela parecia ser irmã dele, e eu evitei piorar a situação com meus famosos [e talvez detestados] "PQP, é verdade!! O que será que isso quer dizer?". Leia-se, eu quase reboquei tudo, porque eu ia acabar sugerindo que eles eram mesmo irmãos mas não sabiam disso, e que se eles tivessem filhos, estes poderiam ter problemas congênitos.
     Como ele fez questão de pontuar, pedir aquela informação ("Quando foi que eu achei um desconfiômetro?") perto da namorada (*muito irritadiça*) era um pseudo-crime. 
     Enfim, depois disso ele mandou eu colocar de novo o "não ter desconfiômetro" na lista, e acrescentar "completa falta de senso de oportunidade". A lista tem 46 itens agora! :)

Teoria da Noite

Postado por MissHachi7 às 02:42 0 comentários
          Tentando pensar em frases coerentes à essa hora da madrugada, viajei até o mundo dos pensamentes acerca de sonhos. Estava aqui filosofando sobre o quanto uma interpretação equivocada de um desses delírios quase reais pode estragar uma vida. Lógico que pensei em exemplos bem exagerados, mas, EI, eu posso fazer isso se eu quiser. MUAHAHA
         Bem, o primeiro exemplo que eu escolhi na minha miríade de viagens foi o de uma mulher que sonhou que o marido a estava traindo com a empregada, e quando acordou não sabia se tinha presenciado um evento ou sonhado (e isso acontece com muita frequência, ah, sim), e despediu a empregada (que realmente estava dando uns pegas, mas era no filho da mulher em questão. Mas isso não vem ao caso) e se divorciou. Claro que a vida dela não foi estragada, mas a do marido sim, porque ele não tinha feito nada e agora está sem casa e sem mulher. Viu?
      Outro exemplo vem da minha própria experiência: acordar com raiva de alguém que te magoou num sonho. Aí você fica de cara feia pro indivíduo por uma semana e no quinto dia acaba esquecendo que tava chateada por um sonho, e passa a achar que ele realmente te ofendeu/chateou/bateu/tentou matar. Enfim, a paranoia faz você evitar tanto o ser em questão que ele te exclui do círculo de amizades. Lógico que nesse caso, a vida arruinada é a sua. Perder amigos, nem um pouco divertido.
      Enfim, para resumir, minha teoria dessa noite, é que deveríamos anotar os sonhos assim que abrimos os olhos, para evitar confusões. 
      Tudo bem, pode soar meio inútil agora, mas espere até um sonho mal lembrado desmanchar a harmonia da sua vida para me ouvir.

Você sabe de quem estou falando.

Postado por MissHachi7 às 01:58 0 comentários
     Como você não demonstra a menor consideração pelo que me dá raiva, retribuirei da mesma forma, redigindo-lhe uma declaração. Sinta-se à vontade para ignorá-la (eu faço isso com você às vezes).
Você é meu amigo há muito mais tempo do que qualquer outro amigo. Eu era estupidamente apaixonada por você quando estudávamos no CIEL. Depois que saí da turma, falar com você era um ritual diário e que costumava me alegrar mais do que qualquer outra coisa.
     Minha mãe ficou preocupada e me pediu pra parar de falar com você. Eu sumi por muito tempo, e senti falta de te encher o saco com aquelas porcarias sobre signos e de saber da sua vida. Depois, eu voltei a falar com você e já não era a mesma coisa. Você estava mais sarcástico, crítico, e estava tudo bem, porque eu ria muito das suas ironias e da sua fascinação pela Rossum.
     Eu ainda tinha em você um amigo importantíssimo,e achava (e acho) estranho alguém tão inteligente ter tempo e paciência para me ouvir e falar comigo. Eu passei a dar tanto valor a isso que discutia coisas muito importantes pra mim somente com você. Não que eu achasse que você desse importância, mas você falava como se desse, e era o suficiente. Eu adoro quando você diz que ficou feliz por alguma coisa que eu fiz ou disse, e acho que passar no vestibular só foi realmente validado como vitória quando você disse que estava orgulhoso.
     Não faz muito tempo que eu passei a ter consciência de que estava basicamente sendo adestrada moralmente, e tentei muitas vezes falar como você queria que eu falasse, só pra você reparar nisso. Eu odeio não conseguir te fazer rir, detesto o fato de você sempre saber quando estou tentando te fazer rir. Nada me deixa tão furiosa quanto ser criticada por você, e nada me deixa tão constrangida.
    E eu fiquei particularmente ansiosa quando fui apresentada à Monique, que é uma pessoa tão maravilhosa. Eu sabia (sei) que não consigo ser daquela forma nem em um milhão de vidas, e entendi que não dá pra ficar em primeiro lugar no seu "top 5" de amizades. E de tanto você falar no quanto eu precisava ter mais fibra moral, tomei raiva e por vezes ficava sem falar contigo por um tempo, pra simplesmente voltar quase sem norte, direto pra você.
     E mesmo agora, quando você disse que precisava me "preservar", eu ri alto, porque essa nunca foi sua preocupação, e uma das características que mais me soam suas é exatamente a franqueza despreocupada com que você sempre lidou comigo. Mesmo quando eu estava chorando, você disse "o choro é livre", e me apresentou, racionalmente, as alternativas que havia. Na hora, eu te achei um insensível do caralho, mas assim que acabou meu melodrama eu vi que era a lógica pura que você me fez ver.
    Então a conclusão é que eu acho que preciso de você. E se essa declaração te causa repulsa, ótimo. Eu nem ligo! Volta logo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

"Eu juiz de mim..."

Postado por MissHachi7 às 20:34 0 comentários

     Temos em nós a consciência de nossa ambivalência (leia-se, sabemos que não somos puramente bons nem puramente maus, apenas uma batida com tudo isso, e percebemos momentos de tendências à bondade ou à maldade – dependendo de quanto as pessoas ao nosso redor nos infernizam), e na aferência de nossos valores, sentimos por vezes o impasse causado pelo enfrentamento dessas valências ("eu gostaria muito de fazê-lo morder essa calçada e chutar sua nuca, mas isso é errado, eu não gostaria que fizessem isso comigo"). Não nos dissociamos nessas duas "personalidades" - e aqui, "nós" quer dizer "pessoas não-multipolares" - e, mesmo assim, sentimos que uma gladiatura se dá em nosso interior.
     Quando procuramos estudar o criticismo kantiano (e nem me pergunte por que faríamos isso) verificamos a necessidade pressuposta de que haja uma terceira pessoa neutra para julgar processos gerados entre dois indivíduos. Essa filosofia é a pragmática aplicada (pelo menos teoricamente) nos tribunais. No entanto, Kant tratou apenas das relações interpessoais; durante a aula de Filosofia, provoquei dores de cabeça questionando insistentemente sobre quais seriam os métodos passíveis de aplicação quando no intento de julgar a mim mesma. 
     A noção de que necessitamos de confrontamento de ideias para que possamos ampliar horizontes e conceber por nós mesmos a distinção entre o apropriado e o nem tanto (entre pedir licença e chutar alguém que está no seu caminho, cumprimentar a professora de didática ou mandá-la catar coquinhos), parte da existência de alguém que nos clareie a visão sem o maniqueísmo do certo e errado explícitos.
     Se não podemos fazer surgir uma terceira "personalidade" que se porte de forma neutra, não podemos nos adequar sozinhos. Não existe julgamento meu feito por mim. As conclusões a que já chegamos sobre nossas próprias atitudes são apenas vitórias de batalhas - a serem recomeçadas assim que os valores derrubados consigam se reerguer e voltar à luta. A paz que reina só dura, de acordo com Kant, até que o que foi descartado como inválido e falso volte à tona; assim, não há paz absoluta. 
     Seria necessário que conseguisse uma pessoa que, do lado de fora, ouvisse os nossos dois "lados" (um psicólogo? terapeuta?), e nos permitisse chegar, a partir de observações imparciais, à consciência de nossas múltiplas valências e por nós mesmos decidir que "parte" está com a razão. E assim, com o aval da razão, poderemos ter paz. 
     Na minha opinião, o distanciamento consciente da consciência em si é um tento difícil (ainda não me aventurei), mas possível. A própria análise do que seria a consciência não teria sido iniciada, não fosse o fato de algumas pessoas concordarem com essa possibilidade. Os argumentos contrários são eloquentes, e não tenho como refutá-los por completo ainda... No entanto, acredito firmemente na capacidade do indivíduo de colocar-se como sua própria bússola moral. 
     Obviamente, estou apenas reconhecendo uma potência, então não venham os afoitos dizer que eu descrevi um ato. Minha observação é apenas mais uma das que tentam lembrar-nos de que, se nos conformamos em ser o quanto nos julgam capazes, estamos nos limitando por vontade própria. Só um lembrete. De leve.


 

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