segunda-feira, 28 de maio de 2012

Você sabe de quem estou falando.

Postado por MissHachi7 às 01:58
     Como você não demonstra a menor consideração pelo que me dá raiva, retribuirei da mesma forma, redigindo-lhe uma declaração. Sinta-se à vontade para ignorá-la (eu faço isso com você às vezes).
Você é meu amigo há muito mais tempo do que qualquer outro amigo. Eu era estupidamente apaixonada por você quando estudávamos no CIEL. Depois que saí da turma, falar com você era um ritual diário e que costumava me alegrar mais do que qualquer outra coisa.
     Minha mãe ficou preocupada e me pediu pra parar de falar com você. Eu sumi por muito tempo, e senti falta de te encher o saco com aquelas porcarias sobre signos e de saber da sua vida. Depois, eu voltei a falar com você e já não era a mesma coisa. Você estava mais sarcástico, crítico, e estava tudo bem, porque eu ria muito das suas ironias e da sua fascinação pela Rossum.
     Eu ainda tinha em você um amigo importantíssimo,e achava (e acho) estranho alguém tão inteligente ter tempo e paciência para me ouvir e falar comigo. Eu passei a dar tanto valor a isso que discutia coisas muito importantes pra mim somente com você. Não que eu achasse que você desse importância, mas você falava como se desse, e era o suficiente. Eu adoro quando você diz que ficou feliz por alguma coisa que eu fiz ou disse, e acho que passar no vestibular só foi realmente validado como vitória quando você disse que estava orgulhoso.
     Não faz muito tempo que eu passei a ter consciência de que estava basicamente sendo adestrada moralmente, e tentei muitas vezes falar como você queria que eu falasse, só pra você reparar nisso. Eu odeio não conseguir te fazer rir, detesto o fato de você sempre saber quando estou tentando te fazer rir. Nada me deixa tão furiosa quanto ser criticada por você, e nada me deixa tão constrangida.
    E eu fiquei particularmente ansiosa quando fui apresentada à Monique, que é uma pessoa tão maravilhosa. Eu sabia (sei) que não consigo ser daquela forma nem em um milhão de vidas, e entendi que não dá pra ficar em primeiro lugar no seu "top 5" de amizades. E de tanto você falar no quanto eu precisava ter mais fibra moral, tomei raiva e por vezes ficava sem falar contigo por um tempo, pra simplesmente voltar quase sem norte, direto pra você.
     E mesmo agora, quando você disse que precisava me "preservar", eu ri alto, porque essa nunca foi sua preocupação, e uma das características que mais me soam suas é exatamente a franqueza despreocupada com que você sempre lidou comigo. Mesmo quando eu estava chorando, você disse "o choro é livre", e me apresentou, racionalmente, as alternativas que havia. Na hora, eu te achei um insensível do caralho, mas assim que acabou meu melodrama eu vi que era a lógica pura que você me fez ver.
    Então a conclusão é que eu acho que preciso de você. E se essa declaração te causa repulsa, ótimo. Eu nem ligo! Volta logo.

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