terça-feira, 12 de junho de 2012

Não aprendemos a esquecer

Postado por MissHachi7 às 14:23
      Utilizar o cérebro é algo muito divertido, e a maioria das pessoas devia fazer isso mais frequentemente. As que já fazem, o usam, entre outras possibilidades, para se lembrar das coisas, dos lugares, das pessoas. Da relação entre tudo isso. Quando nos esquecemos de algo, costumamos ficar tontinhos tentando resgatar as informações do fundo de algum baú mental, mesmo que essa informação já tenha se degenerado e sido perdida há algum tempo. Não comandamos essa perda de dados, ela acontece naturalmente. 
        De qualquer forma, ao contrário dessas fugidias impressões coletadas a vida toda, há algumas memórias que não se apagam nem que queiramos. Não conseguimos esquecer tão facilmente. Como disse, muito sabiamente, Juliana Bisinoto, "no decorrer da vida aprendemos a andar, falar, amar, perdoar. Mas jamais conseguiremos aprender a esquecer". Certas coisas não saem do pensamento. Chegamos a sonhar com elas.
       Talvez o problema seja ainda maior quando consideramos o quanto a subjetividade de uma pessoa torna-a profunda e imprenetrável no sentido de deixar mostrar tudo o que se passa em seu interior. Tudo o que ela já viu, tudo o que já pensou, todas as conclusoes a que chegou, tudo o que já sentiu e desejou, muda sua percepção. Muda suas necessidades emocionais, influencia em como vai processar e armazenar dados. Talvez seja esse o problema dos corações apaixonados. 
        Digo isso porque hoje completaram-se seis anos a partir do dia em que o cara de que eu gostava desde a quarta série me abraçou pela primeira vez. É algo simples, sem nenhum significado gradioso ou algo assim, mas não me foge à memória de jeito nenhum. Não consigo esquecer de como eu voltei pra casa mais perdida do que eu. Nem de como eu o empurrei com toda a força, de tão assustada e amedrontada que fiquei com o fato de estar abraçando o "amor da minha vida". 
      Eu não me lembro mais do motivo de ter gostado tanto dele, não me lembro do porquê do abraço... Enfim, isso me fez pensar sobre a seletividade ridícula que se impõe nas minhas lembranças. Enquanto eu tiver lembranças, de qualquer tipo, sei que estarei atrelada a acontecimentos que não vão se repetir nunca mais, mas que eu posso reviver sempre que quiser. Ou ficar mais tonta ainda, tentando desaparecer com aquele abraço no meio de todo o caos que fica implodindo e explodindo aqui dentro.

2 comentários:

Monique Hovacker disse...

Simplesmente amei o post de hoje!
Obrigada por escrever essas coisas que sempre chegam bem pertinho do coração da gente! Me fazem lembrar de muitas coisas! s2
Beijocas e abraçocas, Li!

Hachiko disse...

Mon, você sabe que a recíproca é mais do que verdadeira, né? Obrigada! Milbeijos <3

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