sábado, 9 de junho de 2012

Saudade do meu futuro

Postado por MissHachi7 às 22:13
       Lembra-se de quando você tinha dez anos de idade e seus pais faziam planos com você? E você dizia que teria uma casa enorme, com seis carros, muitos brinquedos e uma piscina com tobogã, e pintaria tudo de rosa/azul/verde e construiria uma casinha pro cachorro e separaria um cômodo [o maior] só para ser sua biblioteca? Tudo bem, talvez a última parte não seja um denominador comum, mas em geral, se não são planos como esse, eram planos de algum tipo. E mesmo feitos em segredo, todos planejamos nosso futuro para ser incrível, da nossa forma. Pode ser que a felicidade de uns seja casar e ter filhos, e a de outros seja jamais ter que ver crianças de novo. 
        No meu caso, eu sonhei com uma casa pequena que tivesse um jardim enorme, e onde eu pudesse ter no mínimo um cômodo só pra livros... E agora eu fico pensando que, na verdade, eu não quero isso. Pensando de forma pragmática (o que me arrepia de horror, porque ser pragmático é triste), eu não quero jardim, nem um cômodo só com livros. Não terei tempo para cuidar de flores, e é cruel plantar o que não se está interessado em cultivar com carinho e atenção - em todas as instâncias -, e se agora mesmo, nessa minha vida de vagal, eu ando sem tempo para ler, como eu quero ter um cômodo cheio de livros? Se eu estiver trabalhando o suficiente para ter uma casa, tempo será mais precioso do que comida. Uma biblioteca? Só para estocar material pra fogueira? 
        "Uma casa sem biblioteca é um corpo sem coração". Eu posso estar sem tempo sequer para sorrir pra mim mesma no espelho (afinal, nunca faço isso, mesmo), mas sempre terei tempo para ler. Posso não terminar seis livros por semana, mas nem que eu tenha que dormir menos horas por noite, manterei meu cérebro alimentado com literatura amigável. Se eu realmente tiver que viver lendo só os livros do curso, ou da área de Psicologia, eu vou ficar louca. É totalmente necessário que eu leia ao menos uma comédia entre as obras de praxe. 
          Eu não nasci pra ser sempre séria e compenetrada. Acho que ninguém nasceu pra ser assim, mas eu tenho um medo engraçado de algum dia acabar ocupada demais fazendo tudo o que devo fazer e sem tempo para fazer o que eu gostaria de fazer. Lógico que quando eu era pequena, acreditava que tudo seria como eu quisesse, e não considerava as possibilidades reais de executar qualquer um dos meus planos. Agora eu já preciso pensar nesses fatores técnicos (sonhar desse jeito perde grande parte da graça), e isso meio que automaticamente descarta 90% dos meus desejos da infância.
           Um dia eu quis ter muitas coisas absurdas, e percebi que não precisava de quase nada daquilo, e que também não alcançaria nem metade de tudo. Mas o futuro que eu planejava para mim mesma algum tempo atrás [dez anos não é nada, para mim] incluía ao menos uma paixão que não é descartável. Eu tenho saudade do futuro que eu almejava. Ver que não é exatamente assim é frustrante, mas acho que ficar adulto envolva esse tipo de contrariedade.

6 comentários:

Monique Hovacker disse...

Queria ter uma casa na árvore...

Amanda Bento disse...

Séra que você vai incluir meus livros nesse meio? Haha mais um lindo texto, my beloved Hachí. <3

Hachiko disse...

Eu queria uma casa de bonecas do meu tamanho. Pedi isso ao meu pai quando eu tinha 6 anos. Eu ganhei quando tinha 16, mas ele fez pra alguém com o tamanho de 6, então minhas irmãs adoraram.

Hachiko disse...

Lógico, terão espaço privilegiado, sweetie! <3 obrigada *-*

Monique Hovacker disse...

Nunca quis uma casa de bonecas! Nem sei o que eu queria... Tinha tantas ideias! Tirando a casa na árvore, um clubinho particular para eu brincar com minha prima/melhor amiga onde ninguém além de nós poderia entrar! E nós poderíamos dormir ali, se fugíssemos! Mas ficava no quintal atrás da minha casa o lugar onde nós queríamos que fosse, e ela morava na casa da frente, então... Podiam ter feito! Não custava nada... Apenas dinheiro! AUHSUAHSUHAS

Hachiko disse...

"Apenas dinheiro" HAHAHA é, houve algum tipo de inversão de valores nos pais da nossa geração... eles se importam mais em nos dar intelectualidade do que diversão selecionada [por nós, haha]. Mas acho que um equilíbrio nos renderia melhores lembranças da infância. Só acho! QQ

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