sábado, 16 de junho de 2012

Sinceramente?

Postado por MissHachi7 às 17:08
     Quando você foi embora, tanto tempo atrás, eu pensei que fosse ficar louca. Escrevi seu nome em todos os meus cadernos e minhas agendas ficaram repletas de poemas dedicados a você. Eu ficava acordada até muito tarde, olhando para a única foto sua que eu possuía, e imaginando toda uma vida com você, uma vida que eu sabia, em algum lugar da minha mente conturbada, que jamais se passaria de verdade. O quanto eu chorei, o quanto eu gastei em terapia para superar você e seu abandono? Ninguém faz ideia. E eu jamais contei isso para você, com medo de ouvir de novo o "mas eu não", como quando lhe contei, na quinta série, que gostava de você. Morrendo de medo que você dissesse: "já se passaram nove anos. Você parou no tempo?".
     Eu estava quase me esquecendo. Já havia esquecido o número do seu telefone, já havia jogado os cadernos fora, já havia escondido as agendas de mim mesma, já tinha parado de falar com meu terapeuta. Estava quase me acostumando a viver sem você, a viver em função das minhas próprias escolhas. E de repente você voltou. Você estava na mesma cidade que eu, e eu nem sabia. Claro que não, quem se importaria em me dar esse tipo de informação? Você estava tão perto, e não fez a menor diferença! O ar não ficou diferente, eu não senti nada mudar.
     Por um tempo, eu voltei a pensar que fosse ficar louca. Eu sabia de tudo o que estava se passando na sua vida e tudo me irritava, matava de ciúme e de inveja, massacrava meu coração e ria da minha cara de desespero passional. Aí você começou a namorar. Na hora eu pensei "COMOASSIM", mordi meu celular (o que, aliás, quebrou a lente da câmera), atirei tudo o que estava por perto na parede (meu gato sumiu desde então), gritei como uma lunática e escutei músicas deprimentes até apagar. 
      Quando acordei, quase 18 horas depois, respirei bem fundo e comecei a refletir. Eu vivi quanto tempo sem você? Minha vida inteira, já que nunca pude contar com a sua pessoa. Como eu estava? Bem, obrigada. Faltando alguma coisa, algum pedaço? Não, senhor. Eu preciso mesmo de você? Sinceramente? Não. Eis o momento libertador em que cortei todas as possíveis relações que eu teria com vossa senhoria. Eu não quis acreditar no TEMPO que passei me preocupando com alguém que não tinha a menor relevância! 
      Tudo bem, não é sua culpa toda a minha neurose. Eu sei que você deve estar pensando "mas eu nem sabia de tudo isso" ou então "puta que pariu, ela é louca", mas é só que eu adoraria que você soubesse que não estou mais gerando karmas, nem rogando pragas (não que eu já tenha feito isso, lógico), nem desejando que você goste de mim. Afinal, você nem liga! Então é melhor assim, livres um do outro! 

Com amor, etc.

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