quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sobre a auto-ajuda

Postado por MissHachi7 às 23:06
           Se tem uma coisa que eu detesto, de uma forma quase física, é livro de auto-ajuda. Quando eu estou de castigo, minha mãe me dá um exemplar aleatório e me manda fazer um resumo sobre ele! Porque CÉUS, como eu ODEIO auto-ajuda! São livros que quase insultam a inteligência de quem os lê! Valorize-se, respeite-se, só assim você pode ser valorizado e respeitado? Isso é ÓBVIO, quem precisa de um livro inteiro para remoer essa mesma intelectiva de novo e de novo? Porque vamos concordar, uma coisa é ser prolixo e claro, outra muito diferente é ser prolixo e repetitivo, chato, maçante e piegas.
           "Ah, Hachi", dirão alguns afoitos, "mas um livro X mudou minha vida, agora sou outra pessoa, etc". Tudo bem, que bom para você. Uma conversa animada com seu melhor amigo talvez trouxesse os mesmos resultados, e você nem teria que pagar o preço absurdo que andam cobrando nessa porcaria de psicologia popular (preço, aliás, cobrado por qualquer livro, graças ao lindo apoio à intelectualização que o nosso querido governo não proporciona). 
           Minha ojeriza com esse tipo de literatura reside muito mais na homogeneidade do gênero do que nele em si. Quero dizer, generalizando de uma forma que eu não devia fazer, se você leu UM livro de auto-ajuda, você leu TODOS. O que muda é o tom do autor, a abordagem, mimimi. Eles dizem a MESMA coisa: para se adaptar, você tem que se aceitar, e aceitar os outros como eles são, e não ser egoísta, e dividir seus sentimentos, e se amar. 
            Para começar, não acho que seja um dever primordial do indivíduo se "adaptar". Na minha opinião, ninguém é obrigado a gostar de ninguém, muito menos de si mesmo, só para ter uma vida social mais amigável ou ativa. Gostar de alguém deve ser algo natural e espontâneo, e se não vier, quem liga? O amor próprio, então... deve existir de forma natural, não aprendida. Alguém que precisa ler num livro qualquer que deve se amar, ainda não chegou nesse ponto, talvez não esteja pronto ou nem queira nada disso.
           Além do mais, soa muito auto-piedoso quando alguém lê um livro como "sou sofrida, como voltar a ser feliz?". Não que a auto-piedade não funcione, e não que o livro não vá salvar sua existência, seu relacionamento, sua boa convivência com os colegas. Mas não é desconfortável? Eu tenho muito dó de mim, mas jamais leria um livro que me ajudasse a melhorar isso [por vontade própria]. 
            Pra encurtar, não me dê livro de auto-ajuda de Natal. Se der, que venha com cupom para troca.

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