sexta-feira, 6 de julho de 2012

Belas Amigas

Postado por MissHachi7 às 18:34

Pela oitava vez, suas amigas lhe contaram que viram seu namorado com outra garota. Ela já não estava muito feliz com ele. Então foi uma excelente desculpa para se vingar. Sei o que você está pensando. “Nossa, que fraca, o namorado já a traiu oito vezes e só agora ela faz alguma coisa a respeito?”. E devo concordar, era uma fraca. Morria de medo de ele abandoná-la de uma vez pra ficar com outra. Achava que valia a pena suportar os desvios morais de um idiota, desde que ele voltasse para a casa dela no fim do dia. Então faço coro aos seus pensamentos, era mesmo uma lerda. Mas pelo menos decidiu tomar providências em algum momento.
E lá vai ela, altas horas da madrugada, mais bêbada do que jamais estivera, com uma barra de metal, rumo ao carro novo dele – de novo, relaxe, ela não sabia o que estava fazendo -, e arrebentou todos os vidros que conseguiu focalizar. Leia-se, só o pára-brisa. Mas isso já a deixou bem mais satisfeita do que eu estava quando chegara. Nenhum alarme foi disparado (porque ele tinha confiança de que naquela vizinhança não era necessário. Mal sabia ele do quão longe uma mulher pode ir pra causar estrago), então ela precisava chamá-lo para poder ver a expressão de ódio confuso do rosto dele.
Jogou a barra dentro do carro e foi, decidida (apesar de ligeiramente trôpega) até a campainha. Tocou umas dez mil vezes [ou mais, não tinha certeza] e enquanto esperava ele aparecer, percebeu que cortara o braço direito com alguns cacos que ainda estavam ali. Isso só aumentou sua raiva, e ela começou a esmurrar a porta com o punho não-danificado. Quando a porta finalmente foi aberta, tentou acertar um soco no mala do seu definitivamente ex-namorado.
- Que porra é essa? Você ta bêbada? – ele, assustado e sonolento, conseguiu se desviar do golpe mal-dado, e abriu passagem para toda a alcoolidade dela.
- Lógico que não. Seja um bom menino e me traga uma vodka. –  riu, entrando na sala com mais confiança do que sentia. – Mas antes disso, aqui – ela passou pra ele um bloquinho de notas – estão todas as minhas motivações. E um pouco de sangue, agora, desculpa. – fez uma pausa para refletir.  – Não, desculpa o caramba. Vá para o inferno. Agora eu vou para casa.
Ele pegou os papéis, empurrou-a para fora e fechou a porta. Nem viu a droga do vidro quebrado, nem ofereceu-lhe um band-aid... Filho da mãe.
No dia seguinte ela acordou com um início de infecção muito terrível acompanhado de ressaca, e ele simplesmente colocou outro vidro no carro. Ela estava fervendo de puro ódio, ele estava todo ressentido e confuso, porque não entendeu nada do que estava escrito no bloquinho. Ela teve que levar alguns pontos no braço, ele gastou um pouco com o reparo. Mas estavam separados. Nenhum dos dois estava feliz. Mas as amigas dela, que inventaram toda essa mentira, estavam adorando.

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