quarta-feira, 18 de julho de 2012

Cantando

Postado por MissHachi7 às 23:32

             Eu adoro cantar. O que não significa que eu saiba fazer isso de forma sequer agradável. De qualquer forma, eu canto mesmo, coloco meus fones de ouvido [para não me escutar e ficar decepcionada] e ponho os bofes pra fora. De sambas amigáveis a raps muito loucos. Passando por óperas e todo tipo de gênero que você pensar. Menos funk, porque né? Não foi feito para cantar.
                Mas então, eu estava quase me sentindo feliz em poder cantar o quanto quisesse, confortada pelo fato de meus vizinhos serem todos velhinhos, simpáticos e surdos. Aí eu me soltava mesmo, ligando pouco [às vezes nem ligando] pra afinação, tom, ritmo e afins. Até que o Sr. W., que pensávamos ser surdo, e mora a duas casas de distância, bateu aqui para me aconselhar. Foi assim:
                - Você é a moça que canta em inglês? – ele sorriu, e eu fiquei envergonhada pelo meu inglês porco que sempre sai nas cantilenas hip-hopeanas. Mas não havia como negar, afinal, eu saí pra atender a porta cantarolando Wish you were here.
                - Sou, por quê? – tentei parecer leve [e acreditem, não é fácil quando se pesa 100kg e a consciência, 398kg].
                - Bom, só vim para dizer que acho sua voz muito boa – ele inclinou a cabeça em sinal de respeito, e eu corei. Ah, como me falta leveza! -, mas também devo dizer que acredito... que se você cantasse mais baixo, talvez você desafinasse menos e conseguisse sustentar as notas por mais tempo.
                Eu o encarei, revoltada. Tudo bem que minha cantoria deve estar atrapalhando a rotina dele... Mas um “cala a boca” ou “para com essa palhaçada” teria sido menos irritante para meu ego. Aliás, muitas pessoas já me agraciaram com a confirmação de que sim, dá para me ouvir do lado de fora, gritando “CALA A BOCA” quando passam em frente ao meu portão. E eu não ligo pra elas. Mas essa observação cuidadosa (de quem, provavelmente, ficou bastante tempo tendo que me ouvir, que dó), foi tão sincera e amigável, que eu fiquei sem palavras. Ora, ele não precisava me dizer isso. Mas disse, então eu agradeci o conselho e voltei para a minha louça para lavar.
                Estava amuada demais para cantar. Murchei depois de saber que infernizava a vida de meus vizinhos. Até os que não ouviam! Céus. Achei que nunca mais fosse cantar, nesse dia. Estava me resignando à minha extração psicológica de cordas vocais, quando meus irmãos chegaram em casa, alvoroçando o ambiente e ligando a TV. Depois de um tempo, apareceram na cozinha, parecendo surpresos. “Por que você não ta cantando?”, “Finalmente parou pra se escutar e ficou chocada?” e “Canta, uai!”.
                 Agora, Sr. W. que me ature, mas se meus irmãos querem que eu cante, eu cantarei. Os pobrezinhos moram comigo. O mínimo que posso fazer pra compensar esse sofrimento é agradá-los com o doce som da minha voz (haha, só que não).

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