sábado, 14 de julho de 2012

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Postado por MissHachi7 às 01:24

Cheguei à festa e só de analisar o ambiente já soube que seria uma noite daquelas. Mariana, que havia conseguido me arrastar até ali, encontrara uma mesa vazia, e pensei “vou dormir aqui mesmo, e aquele abraço pra quem achar ruim”. Mariana, ao ver meu olhar malicioso para a superfície horizontal, me avisou:
- Se você dormir aqui, eu te mato com requintes de crueldade. É pra ser uma noite divertida. Vamos, você vai dançar com a gente. – disse, me puxando para longe da minha ex-futura-quase-cama.
 - Eu só vou beber um pouco para ficar na mesma onda que vocês – defendi-me, resistindo bravamente -, então vai na frente e depois que eu entrar no grau, sigo naturalmente a horda. Eu juro -, acrescentei, quando ela estreitou os olhos para mim.
                Meio por acreditar em mim, e meio por ter seu lado festeiro clamando por libertação, Mariana me deixou em paz. Eu não ia beber, lógico. Primeiro, porque minha mãe ia me bater se sentisse o menor vestígio odorífero de álcool na minha boca. Segundo, porque sou contra essa bobeira de ficar alto e nem ver o que está fazendo. Afinal, sempre tem um babaca com um celular que permite upload pro Youtube. Enfim.
                Assim que preparei meu ninho sobre a mesa, embolando minha blusa de frio, alguém se sentou ao meu lado. Já ia começar a me explicar, algo como “Eu não ia dormir, Mari, estava só preparando um lugar pra apoiar minha cabeça quando eu cair de bêbada”, mas percebi que era um cara. E que cara, ui. Lindo. Mas com um ar de desinibição que me irritou profundamente.
                - Olá, como vai? Não quer dançar? – ele riu, e se sentou ao meu lado. Considerei a hipótese de mentir pra ele também, mas acabei decidindo por deixar meu sono de lado e me dedicar a fazer aquele estranho me detestar o suficiente para ir embora. E me deixar dormir.
- Não, prefiro analisar quem dança. Aquelas ali, por exemplo, estão ensaiando para um ataque epiléptico. – apontei, torcendo para que fossem, no mínimo, primas dele. No máximo, irmãs. Porque não estava a fim de apanhar.
- Essa foi boa – ele riu, acomodando-se melhor. E apoiando o cotovelo na minha blusa. Passei a odiá-lo. – E aqueles ali?
- Eles estão fazendo uma dança de acasalamento. Junte-se a eles, até mais. – respondi com um tom de “isso encerra nossa conversa, estranho estranho”, puxei minha blusa com força, fazendo ele se desequilibrar. – Tchau. Au revoir. Toodles. Adiós.
- Não vou me juntar a eles, estão todos tontos. Não faz sentido, dá preguiça, só gente que não liga pra nada ali... – ele olhou torto para a galera que começava uma mini-orgia atrás de um sofá meio deslocado, no meio da pista. – Mas se insiste em não aceitar uma conversa amigável, até mais, bye-bye, arrivederci.
Eu o encarei, atônita. Ele era eu, mas era um cara. Segurei-o pelo braço, ainda estupefata, e fiz com que ele se sentasse novamente.
- Fale-me sobre você. – pedi, e foi assim que conheci o amor da minha vida, no lugar mais improvável, no momento mais detestável e cercada pelas pessoas menos dedutíveis. Estamos casados há 15 anos, Mariana foi nossa madrinha e em todo aniversário de casamento, ele insiste em fazer um mini-modelo do meu ninho para dormir em mesas. Acho adorável.

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