quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Raiva retardada

Postado por MissHachi7 às 22:03 0 comentários

Eu acredito que talvez já seja notável que eu vivo com raiva. Sempre, invariavelmente, estou reclamando de alguma coisa. Exceto no momento em que o objeto da minha raiva está se desenrolando. Compreende esse fenômeno? Mergulhemos nisso por hoje.
                Creio que minha raiva seja indireta. Eu não grito com a pessoa que me irrita, eu grito sobre a pessoa que me irrita para todas as outras pessoas que não me irritam. É muito difícil expressar meu ódio diretamente ao causador dele. Talvez seja por isso que a maioria das pessoas [que não me conhecem] me acha extremamente tranquila  absurdamente calma e terrivelmente sonsa – aí pisam em mim. E então eu chego em casa, ou encontro algum amigo, e falo mesmo: conto sobre o quanto estou puta da vida, grito, choro, esfrego o rosto, descabelo... só depois. Nunca na hora. Então deixe-me corrigir. Minha raiva não é indireta, é retardada.
                E o que reforça positivamente esse meu comportamento é o fato de eu sempre me sentir muito melhor depois de desabafar. Deve até ser patológico, não sei, mas contar pra alguém tudo o que eu engoli durante o dia [exagerando um pouco, aumentando proporções de discussões, trazendo meu lado “artes cênicas” reprimido à tona] me faz ficar até mais leve. Reclamar é libertador; e apesar de durante meus resmungos eu dizer “eu quis mandar ele morder o meio-fio e depois chutar a nuca dele”, eu nunca reajo em discussões.
                É sério. Você pode gritar comigo, gesticular ameaçadoramente, apontar pro meu rosto e dizer todas as barbaridades, e dificilmente eu farei algo além de chorar. Quer uma pessoa frouxa pra discussões violentas [que não sejam ideológicas, devo dizer... num embate filosófico eu consigo reagir fácil. Mas ataques pessoais são mais difíceis de rebater...], escolhe a Hachiko.
 Eu acredito que, se eu ensaiar antes de uma briga, eu até me saio bem. Lógico, discussões são como palestras! Se você ensaia bem, na hora não há perguntas sem resposta, não há gagueira, não há chance de erros, de palavras ou informações erradas... Aliás, funciona sim. Toda vez que eu estou conversando no banho, por exemplo, estou ensaiando ou remoendo discussões. Sim, porque se eu simplesmente pensasse no futuro não seria eu! Preciso relembrar cada pedacinho dolorido de cada briga que eu tive durante o dia [mês, ano, encarnação], pensando [tardiamente] em boas réplicas e expressões de ameaça mais... ameaçadoras. Por isso, se você vir algum amigo meu me chamando de exagerada, dramática, revoltada... acredite, eles ainda não estão inventando nada.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O que são palavras?

Postado por MissHachi7 às 19:36 0 comentários

Aonde quer que você esteja, estou por perto;
Aonde quer que vá, eu estarei lá;
Quando quer que sussurre meu nome, você verá
Como eu cumpro todas as minhas promessas,
Porque que tipo de cara eu seria
Se a deixasse quando você mais precisa de mim?

O que são palavras
Se você não é sincero ao dizê-las?
O que são palavras
Se elas só servem para momentos felizes, e depois acabou?
Quando é amor, sim, você as diz em voz alta
Essas palavras nunca vão embora
Elas permanecem, mesmo quando nós fomos...

E eu sei que um anjo foi enviado só pra mim
E eu sei que devo estar onde estou,
E estarei com ela essa noite, e ficarei ao seu lado
Eu nunca a deixaria quando ela mais precisa de mim.

Aonde quer que você esteja, estou por perto;
Aonde quer que vá, eu estarei lá;
E eu estarei com você para sempre...
Todas as minhas promessas, eu cumpro
Que tipo de cara eu seria se a deixasse quando mais precisa de mim?
Vou manter meu anjo sempre por perto...


domingo, 28 de outubro de 2012

Teoria sobre Paixão

Postado por MissHachi7 às 19:57 0 comentários

Poucas coisas conseguem ser mais irritantes e menos exatas do que pessoas apaixonadas. Você pode até pensar que não é tão terrível assim, mas filosofe comigo: se para os amigos a paixão está irritante, imagine se o objeto da paixão se mete. Calma, vou me expressar de forma mais clara.
Eu posso falar porque eu me apaixono, o quê?, a cada duas semanas. E a Leni sempre sofre me ouvindo miar a respeito da minha vítima. Eu chego a chorar falando dos olhos do cara. Agora imagine se eu estivesse falando com ele. Provavelmente um de nós teria um ataque (se fosse eu, seria de tanta emoção; se fosse ele, talvez náusea ou tédio).  Compreende? É irritante!
                Além do mais, temos sorte de (teoricamente) as pessoas terem um filtro entre o cérebro e a boca. De verdade. Se tudo o que uma idiota apaixonada fala é estressante, imagine se pudéssemos ouvir o que ela pensa. Santa mãe de Deus. Seria como colocar um disco arranhado para tocar sem parar! Do tipo “cara, como assim ele é tão lindo? É possível alguém ter esse sorriso, esses olhos e essa inteligência? Como assim ele é tão legal? Nossa, ele é tão engraçado, eu poderia ouvir a voz dele o dia inteiro, meu Deus, como assim nós não estamos juntos? Será que ele gosta de mim? Nossa, eu adoraria ser aquela menina conversando com ele, meu Deus, como pode ser tão perfeito, nossa...” etc, etc.
                No final das contas, ninguém é muito original quando está apaixonado. O que faz sentido para mim, porque ninguém aprende a se apaixonar na marra. Todos aprendem como é estar caindo de amores através de livros, ou vendo filmes, ou ouvindo outra pessoa falar a respeito. Ninguém experimenta a sensação de se apaixonar cruamente. Todos estão cheios de moldes em que se basear, experiências alheias para usar como paradigmas da paixão. E eis minha filosofia rasa: se a primeira pessoa a descrever a paixão estava na verdade descrevendo alguma outra coisa (seja por engano, por falta de atenção ou por pura maldade), e todos passaram a se identificar com isso mas chamando de paixão, no final ninguém realmente se apaixonou, ou então todos já nos apaixonamos de verdade, mas deixamos passar porque não “parecia” paixão.
                Eis outra forma de microfísica do poder que eu não esperava.
                Ou eu tenho dormido pouco e nada do que eu digo é coerente.

Não é amor, o que é?

Postado por MissHachi7 às 19:49 0 comentários

Tem tantas formas de sentir que são indescritíveis.

Por exemplo, como eu me sinto toda vez em que você vai embora. É uma mistura de alívio com tristeza que me confunde, e não se pode resumir em uma palavra só, uma expressão só, uma ideia só.
Eu nem sei aonde eu vou parar quando começo a caminhar por essa trilha de pensamentos.
Você me leva aos limites de tudo o que eu conheço, e tudo perde a forma, e eu não tenho parâmetros para me localizar com precisão a respeito de mim mesma.
Eu mal posso esperar para vê-lo de novo, afinal sempre é como uma inundação de luz no meu dia; no entanto, ao mesmo tempo eu sinto que estou morrendo quando estou ao seu lado, é um mundo diferente, é uma sensação diferente.
Algo no seu sorriso, nos seus olhos verdes. Malditos olhos verdes.
Eu nunca sei o que dizer, eu não sei sequer o que pensar. Se é que devo pensar. Alguém pensa quando se trata de amor?
Será apenas isso? Só amor? É algo tão imenso que não parece caber em amor...
O planeta inteiro dá voltas e eu não saio do lugar, é como esperar promessas de alguém que nunca ouviu falar de algo parecido.
Ah, eu gostaria de esticar os momentos em que estamos juntos e poder  cobrir a eternidade com eles.
Não sei o que faria se não fosse sempre encontrá-lo no amanhã. O dia seguinte me mantém viva.
Tudo o que eu conheço simplesmente poderia envelhecer comigo, e eu não precisaria de mais nada se você estivesse comigo. Por eras, pelos mundos, nunca mudaria.
É certo demais estar com você, não tê-lo por perto é sofrer, estar com você é difícil...
Eu vivo na tênue linha em que sua presença me é preciosa demais, em que você é demais a perder para eu ir embora, em que eu ficaria só e perdida sem você.
Há nome para isso?

Filosofia de hoje brotou do café

Postado por MissHachi7 às 19:30 0 comentários

             Eu sempre via minha mãe servindo café para as visitas e achava engraçado o quanto parecia um ritual repetitivo e sem atrativos, mas que se estendia às vezes por tardes e noites inteiras. Então arrumei esses amigos que vivem de café, e recebê-los em casa se provou uma delícia sem fim, e o café nos acompanhou impecavelmente, e fez muito sentido todo o ritual da mamãe. É muito interessante se encontrar do outro lado da situação de vez em quando. É bom saber o significado que cada hábito pode assumir em diferentes pessoas. Não que essa questão seja grandiosa e cheia de morais e lições profundas. Mas talvez, pelo menos para mim, algumas grandes lições sejam aprendidas com acontecimentos corriqueiros. No momento em que eu percebo a grandiosidade de alguma minúscula atividade diária, eu sinto, eu FISICAMENTE sinto um muro se dissolver na minha cabeça. Quase como tomar todo um copo de café e sentir a cafeína circulando com vigor.

Mania de perseguição

Postado por MissHachi7 às 19:22 0 comentários

Não que eu tenha desenvolvido todas as minhas paranoias até chegar a proporções somáticas. Acontece que eu estava aqui, viajando pela internet (o que pode durar muito tempo, considerando-se a extensão deste território), e acabei encontrando muitas coisas que eu adoraria nunca ter encontrado. Mas claro que encontrei, porque eu pesquisei com muito afinco. Posso explicar isso melhor.
Você conhece a necessidade premente de se descobrir tudo a respeito da pessoa que você ama? Tem-se chamado essa necessidade de “stalk” -  e eu acho que sou uma stalker amadora muito aplicada -, e apesar de pouco saudável, essa é uma atividade que distrai satisfatoriamente e que acaba levando você a saber de todo tipo de informação absurda a respeito do seu alvo. Sim, mesmo que você tenha buscado essas coisas, não significa que você queira saber delas.
Na verdade, minha teoria é de que pesquisamos essas palavras na esperança (retardada) de que apareça “não há resultados” em vez de “está em um relacionamento sério”. Eu, particularmente, estou diminuindo a frequencia das minhas investigações, porque como vou ter que vestibular com vigor esse mês, ficar encontrando uns fatos escabrosos pode me desconcentrar.
Mas falando sério, essa mania de perseguição tem que parar! Não tem tanto espaço assim no meu computador pra continuar salvando fotos estúpidas dele com a namorada... Provavelmente eu tenho mais fotos deles do que os próprios. De qualquer forma, eu devia:
   a)     Mudar de alvo, esse já deu o que tinha que dar, leia-se, nada.
   b)  Parar de stalkear a galera e arrumar uma vida.
   c)      Fazer disso um hobby e deixar para os fins de semana.
Ou, para todos os efeitos, simplesmente fingir que ninguém sabe que eu faço isso. É, mais confortável. Ah, que pessoa desprezível soy yo.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Sobre amar

Postado por MissHachi7 às 19:49 1 comentários

“...será que ele me ama? será que gosta mais de mim do que eu dele? terá gostado de alguém mais do que de mim? Todas essas perguntas que interrogam o amor, o avaliam, o investigam, o examinam, será que não ameaçam destruí-lo no próprio embrião? Se somos incapazes de amar, talvez seja porque desejamos ser amados, quer dizer, queremos alguma coisa do outro (o amor), em vez de chegar a ele sem reivindicações, desejando apenas sua simples presença.” ~Milan Kundera

Esse trecho de “A insustentável leveza do ser” me pegou tão desprevenida que eu tive que refletir sobre ele durante dois dias antes de retomar a leitura. Não tanto pela relevância dele para a compreensão da [incrível, maravilhosa, adorável, profunda] história, mas pela amplitude da filosofia nele contida. Amplitude essa que não apenas me compreendeu, mas também me engolfou de súbito e me levou para longe de mim, e eu pude enfim perceber o que eu tenho feito de errado.
                É exatamente isso que eu sempre fiz! Nunca cheguei para pessoa alguma e simplesmente a amei. Nunca tive a humildade de admitir que amava alguém e me aconchegar a seus pés, desejando somente que ela permitisse que eu continuasse por perto. E por mais que seja uma imagem surpreendente no sentido de não parecer o amor como devia ser, faz mais sentido para mim do que a alternativa. Ou seja, o que eu sempre fiz foi admitir que amava alguém e esperar que essa pessoa também me amasse. E as [invariáveis] negativas amargavam meu amor, matavam qualquer beleza que ele pudesse ter no começo.
                Certamente por isso o amor sempre me pareceu algo que fazia mal, que não dava certo nunca.

“Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.”
~Luís de Camões

Eu mereci cada uma das conclusões estúpidas dos meus amores. Eu não amei certo! Eu matei todos eles antes mesmo de surgirem. Faz muito sentido. “Ah, isso é tão platônico!”. É, talvez, mas que opção eu tenho? É melhor manter amor platônico sendo amor do que criar um amor vingativo que nunca amou. Não que eu acredite na possibilidade de qualquer relacionamento em que não existam certas responsabilidades – e algumas cobranças advindas delas.
Estou falando daquele amor do começo, antes da existência de reciprocidade e de compromisso. Amor nenhum poderia crescer, evoluir para esses termos, sem antes passar pela fase do “incondicional”. Sem antes haver aquela conferência do “eu realmente amo essa pessoa. Eu não saberia o que fazer sem ela, e mesmo que ela não me amasse, eu continuaria aqui, desejando sua felicidade e esperando que ela consiga realizar todos os seus sonhos e, talvez, que pense em mim antes de dormir de vez em quando”.
Estou começando a achar que eu e minha Utopia vamos morrer juntas, uma consolando a outra pelo que queríamos que acontecesse e nunca aconteceu.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Outra teoria

Postado por MissHachi7 às 20:23 2 comentários

Não sei se o fato de eu ser meio agressiva demais tem a ver com o desejo reprimido do meu pai de que o primeiro filho tivesse sido um menino. Bom, talvez tenha. Foi ele quem me disse que eu não devia levar desaforo pra casa (isso quando eu estava no Pré), quem me ensinou a fazer cara feia para quem me enchesse o saco, quem me contou que eu tinha mais força do que as meninas da minha idade.
 Mas, lógico, assim que meu irmão chegou a uma idade adequada para começar a ser “treinado para ser homem”, meu pai desistiu de mim, e aí passou a cobrar feminilidade e delicadeza da minha pessoa. O gérmen do “olho por olho” continuou em mim – e até hoje alguns caras me corrigem quando os chamo de “mano”, porque isso não é como “mocinhas” falam -, no entanto, eu acreditava seriamente que meu temperamento levemente bélico era bem escondido.
Até que aconteceu um incidente bem engraçado em casa, e eu vi que todo mundo já sabe que eu não sou uma “mocinha” frágil e sensível – pelo menos não em termos pragmáticos.
(Minha mãe): - Olha, Aline, se algum dia algum rapaz te desrespeitar, acerta um tapa na orelha, de baixo pra cima mesmo, viu?      
(Meu pai): - Mulher, não fica dando idéia assim pra Aline, que ela vai acabar matando alguém um dia.
Acho que ele se arrepende até hoje do dia em que eu quebrei o nariz de um colega e expliquei para as professoras que fora ele quem me dera todo o conhecimento técnico pra isso. E tudo bem, porque foi a única vez em que eu agredi (seriamente) alguém. Depois disso deixei a energia das explosões de raiva ser desviada para discussões de cunho acadêmico e para a lida com meus (muitos) irmãos. HAHA. Brincadeira. Ou não.


Do lado de fora. De novo.

Postado por MissHachi7 às 20:19 0 comentários

Ficar trancada do lado de fora de casa é muito interessante. Não, tudo bem, eu não estou sendo irônica. No começo eu até ficava puta da vida, amaldiçoava todo mundo por me deixarem de fora, toda suja de terra e grama, machucada e cansada (porque é sempre quando estou voltando do treino). Mas ultimamente tenho usado o tempo livre para filosofar um pouco.
Aproveitei para ler “A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera (muito bom, recomendo a todos que estejam precisando abrir a cabeça para uns horizontes diferentes, mais verticais e paradoxais. Eu não estava precisando, mas adorei), e para conhecer alguns vizinhos, que ficaram meio assustados de me verem encostada no portão por algumas horas, sozinha e descalça. Sempre é interessante pensar no que eles vêem do lado de lá, né? Devia parecer uma sem-teto louca.
                E eu estava pensando no quanto uma droga de cadeado me separou de tanta coisa. Quer dizer, é óbvio, eu sei, mas nunca tinha parado para refletir: minha sala, meu chuveiro, meu quarto, estava tudo ali, a poucos passos, mas tinha UM cadeado entre nós, e isso me mantinha do lado de fora. Eu podia VER tudo o que eu queria, mas estava tudo, na prática, longe pra caramba.
                E então eu fiquei com muita raiva daquele cadeado. O que aquela droga estava fazendo ali? Se eu fosse um ladrão, andaria com meu super machado e quebraria aquela porcariazinha com uma só mão. O cadeado não mantinha nenhum mal-intencionado longe da minha casa, só ME mantinha longe dela. E dessa raiva contra o cadeado explodiu uma raiva imensa de todas as coisas pequenas e hipócritas que eu já tinha instaladas na minha vida.
·         A maldita carteira de identidade, que significa antes da minha presença que eu existo.
·         A fronha do travesseiro, que só serve pra me dar o trabalho de trocá-la regularmente.
·         Peso para a porta, que só serve para massacrar meu dedinho do pé.
·         Meu dedinho do pé, que só serve pra acertar coisas duras e “pra crescer uma unha estranha”*.
·         A cabeceira da cama, que só serve pra eu bater a testa toda vez que vou dormir animada demais.
·         A última gaveta, que só serve pra me dar preguiça de agachar.
·         Aquele tanto de prateleiras que vêm com a geladeira, mas que não se encaixam em lugar nenhum lá dentro.
·         Todos os programas que vêm com o meu computador, mas que não servem pra porra nenhuma pra mim.
·         Espelhos. E nem vou começar.
                Eu sei que são revoltas inúteis, do tipo que não faz diferença nenhuma pra ninguém. E mesmo assim, são MINHAS revoltas, e enquanto não chegarem com a chave, vou continuar aqui pensando essas besteiras... Eu devia arranjar uma cópia...

Você sabe que é você.

Postado por MissHachi7 às 20:15 0 comentários

Nada cria tanta polêmica quanto duas pessoas com a mesma opinião expressando-se de formas diferentes. Vivia acontecendo conosco. Às vezes começávamos umas discussões tensas, e no fim era “MAS É ISSO QUE EU ESTOU FALANDO DESDE O COMEÇO, SEU MALA”, ou “E DO QUE VOCÊ ACHA QUE EU ESTOU FALANDO?”.
Subitamente, senti uma saudade maldita de poder discutir com você de novo. Aquele ser irritante que me entendia, e ria dos meus ataques, e criticava os lixos que eu escrevia, e zoava minhas escolhas, e derrubava minhas crenças, e ridicularizava meus paradoxos, e diminuía meus problemas, e. Você concordaria com qualquer uma das coisas que eu já disse? Você discordava de mim só pra me deixar com raiva e me fazer chegar num ponto em que eu não conseguisse mais sustentar qualquer máscara de cordialidade com você?
Eu queria poder fazer a mesma coisa com você. Toda vez falho miseravelmente. É impossível abrir a alma de alguém sem mostrar nem um pedacinho da sua. Como você conseguiu? Como pôde saber tanto sobre a minha pessoa sem nunca deixar transparecer nada? É falta de sensibilidade minha? Você tentou? Você quis mostrar e meu egoísmo só me permitiu falar de mim? Eu estou sendo dramática, mas o choro é livre?
Eu estou com vontade de rir agora. Estou imaginando sua cara de “que bosta, ela está mesmo escrevendo isso?”. Ao mesmo tempo estou com vontade de chorar. Acho que não vamos conseguir conversar daquele jeito nunca mais. Afinal de contas, você estava certo. Agora tem sido só uma repetição do que começou há alguns anos. Mas da primeira vez foi tão bom, não? Sinto que éramos pessoas bem diferentes. Acho – e talvez esteja completamente errada – que algo em mim se apagou, se embolou e revirou-se por um tempo; e em você, algo também se apagou, mas continuou no mesmo lugar. É cruel eu dizer isso? Você liga em algum grau, ou continua indiferente?
Eu estava tão feliz por você ter aprovado meu ingresso no curso de Psicologia. Eu não ligo mais. Você também me deixou sem remorso, como disse que faria. Será que foi uma fase que completamos? Eu sei – e nem adianta achar que não, foda-se – que foi providencial tê-lo conhecido. Foi uma das melhores coisas que podiam ter acontecido, e, como sempre, eu só percebi depois que acabou. Você ajudou o tempo a passar. Você estava me acostumando a ficar sem você. Foi porque eu estava cansando você? Foi porque eu dependia demais da sua opinião e isso o irritava? Não que faça diferença, claro. Nunca mais vou conhecer alguém assim, com quem possa tentar agir diferente nas mesmas situações.
Eu queria ler o próximo capítulo. Foi quantos meses para o primeiro ficar pronto? Não havia um erro de sintaxe sequer. Por que você queria que eu lesse? Eu vou conhecer o personagem secundário, insípido, que você criou lembrando-se de mim? Você o matou?
Apesar de, em princípio, as perguntas serem retóricas, eu adoraria se você respondesse. Mas se a preguiça o impedir, não vou rogar nenhuma praga. Só pra você revirar os olhos mais uma vez, aqui vai: eu amo você. 

Outro tipo de saudade

Postado por MissHachi7 às 20:07 0 comentários

Eu sei que soa estranho pra muita gente, mas sempre repito mesmo assim: queria saber como é sentir aquela sensação de que alguém sente falta de você. Não, só essa frase não explica direito o que eu quero dizer. Então me deixe aprofundar um pouco minha filosofia rasa.
Todos sabemos: saudade é um sentimento ingrato. É um vazio, mas daqueles que preenchem muitas horas, muitos dias, muitas vidas. Uma das piores sensações é estar longe de alguém muito querido,  querer abraços e não ter quem possa oferecê-los (e recebê-los), estar assistindo um seriado, rir, virar para o lado e não ter ninguém ali para rir com você ou fazer comentários a respeito. Sentir saudade é algo que pode levar à loucura. Dói, entristece, esvazia sentidos, cansa.
Mas o que acontece é que eu gostaria de saber que eu sou essa falta que surge em alguém. Muito egocentrismo da minha parte? Com certeza.
Eu sei que muitos amigos meus já sentiram saudade de mim, e me entristeço por esse vazio que eu causei por algum tempo, além de também tê-lo sentido. No entanto, não é dessa situação de que estou falando.
Sabe quando você ama alguém? Ama muito, a ponto de doer profundamente no seu coração o fato dessa pessoa poder nem sequer chegar a saber do tamanho do seu sentimento? E você morre de medo de assustá-la com o quanto você a ama, e prefere nem contar... E essa pessoa vai embora? Sabe? É dela que eu estou falando. Nunca vou causar esse tipo de saudade em ninguém, mas adoraria.
“Nossa, Hachiko, que malvada, você. Quer partir o coração de alguém? Quer ir embora e deixar um cara apaixonado morrendo de saudade sua?”
Mais ou menos.
·         Primeiro, eu sei que isso nunca vai acontecer, por isso não há nada de errado em querer que aconteça.
·         Segundo, se eu soubesse que ele me amava desse jeito, eu voltaria, poxa. Não sou a pessoa cruel e sem coração que pareço.
·         Terceiro, deixe-me sonhar, é grátis.
No final das contas, talvez eu nem queira a saudade de ninguém, eu devo querer só amor mesmo. “Só”. HAHA. Detesto feriados. 
 

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