segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Sobre amar

Postado por MissHachi7 às 19:49

“...será que ele me ama? será que gosta mais de mim do que eu dele? terá gostado de alguém mais do que de mim? Todas essas perguntas que interrogam o amor, o avaliam, o investigam, o examinam, será que não ameaçam destruí-lo no próprio embrião? Se somos incapazes de amar, talvez seja porque desejamos ser amados, quer dizer, queremos alguma coisa do outro (o amor), em vez de chegar a ele sem reivindicações, desejando apenas sua simples presença.” ~Milan Kundera

Esse trecho de “A insustentável leveza do ser” me pegou tão desprevenida que eu tive que refletir sobre ele durante dois dias antes de retomar a leitura. Não tanto pela relevância dele para a compreensão da [incrível, maravilhosa, adorável, profunda] história, mas pela amplitude da filosofia nele contida. Amplitude essa que não apenas me compreendeu, mas também me engolfou de súbito e me levou para longe de mim, e eu pude enfim perceber o que eu tenho feito de errado.
                É exatamente isso que eu sempre fiz! Nunca cheguei para pessoa alguma e simplesmente a amei. Nunca tive a humildade de admitir que amava alguém e me aconchegar a seus pés, desejando somente que ela permitisse que eu continuasse por perto. E por mais que seja uma imagem surpreendente no sentido de não parecer o amor como devia ser, faz mais sentido para mim do que a alternativa. Ou seja, o que eu sempre fiz foi admitir que amava alguém e esperar que essa pessoa também me amasse. E as [invariáveis] negativas amargavam meu amor, matavam qualquer beleza que ele pudesse ter no começo.
                Certamente por isso o amor sempre me pareceu algo que fazia mal, que não dava certo nunca.

“Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.”
~Luís de Camões

Eu mereci cada uma das conclusões estúpidas dos meus amores. Eu não amei certo! Eu matei todos eles antes mesmo de surgirem. Faz muito sentido. “Ah, isso é tão platônico!”. É, talvez, mas que opção eu tenho? É melhor manter amor platônico sendo amor do que criar um amor vingativo que nunca amou. Não que eu acredite na possibilidade de qualquer relacionamento em que não existam certas responsabilidades – e algumas cobranças advindas delas.
Estou falando daquele amor do começo, antes da existência de reciprocidade e de compromisso. Amor nenhum poderia crescer, evoluir para esses termos, sem antes passar pela fase do “incondicional”. Sem antes haver aquela conferência do “eu realmente amo essa pessoa. Eu não saberia o que fazer sem ela, e mesmo que ela não me amasse, eu continuaria aqui, desejando sua felicidade e esperando que ela consiga realizar todos os seus sonhos e, talvez, que pense em mim antes de dormir de vez em quando”.
Estou começando a achar que eu e minha Utopia vamos morrer juntas, uma consolando a outra pelo que queríamos que acontecesse e nunca aconteceu.

1 comentários:

júlia disse...

primeiro, esse livro é demais (angustiante, emocionante, triste, feliz, tudo junto haha)
Segundo que, de novo, te falo que você se expressa muito bem, e escreve de um jeito gostoso, hachi!
e por fim, só posso te desejar muitos amores intensos por muitas coisas diferentes, e que em um deles, uma harmonia do universo faça ele ser reciproco, tranquilo, com sabor de fruta mordida haha que o "find out what you love, and let it kill you" do Bukowski, seja um morrer de tanto viver!
resumindo: adorei! mesmo, vc é demais!
e desculpa, escrevi muito porque to com saudade! hehe te adoro <3

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