domingo, 28 de outubro de 2012

Teoria sobre Paixão

Postado por MissHachi7 às 19:57

Poucas coisas conseguem ser mais irritantes e menos exatas do que pessoas apaixonadas. Você pode até pensar que não é tão terrível assim, mas filosofe comigo: se para os amigos a paixão está irritante, imagine se o objeto da paixão se mete. Calma, vou me expressar de forma mais clara.
Eu posso falar porque eu me apaixono, o quê?, a cada duas semanas. E a Leni sempre sofre me ouvindo miar a respeito da minha vítima. Eu chego a chorar falando dos olhos do cara. Agora imagine se eu estivesse falando com ele. Provavelmente um de nós teria um ataque (se fosse eu, seria de tanta emoção; se fosse ele, talvez náusea ou tédio).  Compreende? É irritante!
                Além do mais, temos sorte de (teoricamente) as pessoas terem um filtro entre o cérebro e a boca. De verdade. Se tudo o que uma idiota apaixonada fala é estressante, imagine se pudéssemos ouvir o que ela pensa. Santa mãe de Deus. Seria como colocar um disco arranhado para tocar sem parar! Do tipo “cara, como assim ele é tão lindo? É possível alguém ter esse sorriso, esses olhos e essa inteligência? Como assim ele é tão legal? Nossa, ele é tão engraçado, eu poderia ouvir a voz dele o dia inteiro, meu Deus, como assim nós não estamos juntos? Será que ele gosta de mim? Nossa, eu adoraria ser aquela menina conversando com ele, meu Deus, como pode ser tão perfeito, nossa...” etc, etc.
                No final das contas, ninguém é muito original quando está apaixonado. O que faz sentido para mim, porque ninguém aprende a se apaixonar na marra. Todos aprendem como é estar caindo de amores através de livros, ou vendo filmes, ou ouvindo outra pessoa falar a respeito. Ninguém experimenta a sensação de se apaixonar cruamente. Todos estão cheios de moldes em que se basear, experiências alheias para usar como paradigmas da paixão. E eis minha filosofia rasa: se a primeira pessoa a descrever a paixão estava na verdade descrevendo alguma outra coisa (seja por engano, por falta de atenção ou por pura maldade), e todos passaram a se identificar com isso mas chamando de paixão, no final ninguém realmente se apaixonou, ou então todos já nos apaixonamos de verdade, mas deixamos passar porque não “parecia” paixão.
                Eis outra forma de microfísica do poder que eu não esperava.
                Ou eu tenho dormido pouco e nada do que eu digo é coerente.

0 comentários:

Postar um comentário

 

Casa da Hachi Template by Ipietoon Blogger Template | Gadget Review