sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Você sabe que é você.

Postado por MissHachi7 às 20:15

Nada cria tanta polêmica quanto duas pessoas com a mesma opinião expressando-se de formas diferentes. Vivia acontecendo conosco. Às vezes começávamos umas discussões tensas, e no fim era “MAS É ISSO QUE EU ESTOU FALANDO DESDE O COMEÇO, SEU MALA”, ou “E DO QUE VOCÊ ACHA QUE EU ESTOU FALANDO?”.
Subitamente, senti uma saudade maldita de poder discutir com você de novo. Aquele ser irritante que me entendia, e ria dos meus ataques, e criticava os lixos que eu escrevia, e zoava minhas escolhas, e derrubava minhas crenças, e ridicularizava meus paradoxos, e diminuía meus problemas, e. Você concordaria com qualquer uma das coisas que eu já disse? Você discordava de mim só pra me deixar com raiva e me fazer chegar num ponto em que eu não conseguisse mais sustentar qualquer máscara de cordialidade com você?
Eu queria poder fazer a mesma coisa com você. Toda vez falho miseravelmente. É impossível abrir a alma de alguém sem mostrar nem um pedacinho da sua. Como você conseguiu? Como pôde saber tanto sobre a minha pessoa sem nunca deixar transparecer nada? É falta de sensibilidade minha? Você tentou? Você quis mostrar e meu egoísmo só me permitiu falar de mim? Eu estou sendo dramática, mas o choro é livre?
Eu estou com vontade de rir agora. Estou imaginando sua cara de “que bosta, ela está mesmo escrevendo isso?”. Ao mesmo tempo estou com vontade de chorar. Acho que não vamos conseguir conversar daquele jeito nunca mais. Afinal de contas, você estava certo. Agora tem sido só uma repetição do que começou há alguns anos. Mas da primeira vez foi tão bom, não? Sinto que éramos pessoas bem diferentes. Acho – e talvez esteja completamente errada – que algo em mim se apagou, se embolou e revirou-se por um tempo; e em você, algo também se apagou, mas continuou no mesmo lugar. É cruel eu dizer isso? Você liga em algum grau, ou continua indiferente?
Eu estava tão feliz por você ter aprovado meu ingresso no curso de Psicologia. Eu não ligo mais. Você também me deixou sem remorso, como disse que faria. Será que foi uma fase que completamos? Eu sei – e nem adianta achar que não, foda-se – que foi providencial tê-lo conhecido. Foi uma das melhores coisas que podiam ter acontecido, e, como sempre, eu só percebi depois que acabou. Você ajudou o tempo a passar. Você estava me acostumando a ficar sem você. Foi porque eu estava cansando você? Foi porque eu dependia demais da sua opinião e isso o irritava? Não que faça diferença, claro. Nunca mais vou conhecer alguém assim, com quem possa tentar agir diferente nas mesmas situações.
Eu queria ler o próximo capítulo. Foi quantos meses para o primeiro ficar pronto? Não havia um erro de sintaxe sequer. Por que você queria que eu lesse? Eu vou conhecer o personagem secundário, insípido, que você criou lembrando-se de mim? Você o matou?
Apesar de, em princípio, as perguntas serem retóricas, eu adoraria se você respondesse. Mas se a preguiça o impedir, não vou rogar nenhuma praga. Só pra você revirar os olhos mais uma vez, aqui vai: eu amo você. 

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