sábado, 15 de dezembro de 2012

Para acabar rindo

Postado por MissHachi7 às 20:59 1 comentários

Não tenho grandes objetivos, não faço grandes sacrifícios, não me dou bem em todas minhas empreitadas, não sinto uma necessidade premente de ser sempre feliz. Por que tudo isso faz com que me sinta errada e imprestável, como se eu não vivesse? Afinal, quem é que vive? Aquele que se arrisca todos os dias? Aquele que não tem uma rotina, que está sempre alegre e põe sonhos nas nuvens?
Talvez. Todas essas são características que alguns consideram adequadas, positivas, boas. Mas, de novo... Se somos ambivalentes, isso pressupõe o quê? Temos o bem e o mal em nós? Ou que nada disso existe? Bem e mal são valorações arbitrárias. O que me oprime é um sistema imaginário, no entanto, como todos acreditam em sua aplicabilidade, o peso é real. Desgraçadamente real.
É assim que grande parte das opressões funciona. Não é por haver um problema em si que morremos de preocupação e medo, é pela propaganda que fazemos dele. Sinceramente? Às vezes percebemos que nosso “problemão” é na verdade um nadinha, mas continuamos tratando-o como grandioso e fodão. Querendo ser um mártir, ser vítima. Que os outros sintam pena.
“Nossa, Aline. Que horrível! Eu não faço isso, acho feio querer chamar atenção assim, acho mesmo que meus problema são enormes como um T-rex querendo me comer [gastronomicamente. Ou não].”
Bom, já disse que sou bem pouco metódica pra chegar às minhas conclusões acerca de mim. Comparar infernos não faz um parecer menos importante, menos sofrido ou menor. Só mostra que há uma miríade enorme de formas de sofrer. “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, essas coisas. Mas esses momentos em que vislumbramos a pequenez do nosso “inferno” confortam um pouco.
É me sentindo uma imprestável que eu percebo o quanto sou ridícula. Sem pieguice, é quase como um “nada vale a pena”, só que ao contrário. Eu vejo que tudo é simplório demais e que o que me preocupa hoje vai ter passado no dia seguinte. No ano seguinte. E isso me anima. Quando vejo com clareza os motivos pelos quais tenho chorado, gastado noites sem dormir, e percebo o quanto são minúsculos... Calma.
Não deixam de ser problemas. Eu não me torno aquelas pessoas que dizem bom-dia ao sol e às flores. Eu não passo a ser útil, feliz, realizada e em paz com meu destino, karma e darma. Mas essa consciência me permite rir, um pouco de cada vez, de tudo. E por mais que soe como insanidade, rir me deixa mais confortável. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Historinha

Postado por MissHachi7 às 18:57 0 comentários

Sabe aquela necessidade de fazer algo bem feito quando alguém está fazendo errado? De tomar o lápis do irmão mais novo pra escrever as respostas por ele, porque a vagareza dá agonia e você sente que vai morrer se ele fizer um Q parecido com um G outra vez? Pois é. Não tem problema ser assim. De verdade, não há leis contra isso (ou há?), não somos considerados doentes (ou somos?). Mas tem horas em que até eu percebo que estou passando dos limites.
Como aconteceu nesse final de semana: um cara que estava na minha sala no vestibular tinha o cabelo comprido. Mandaram o camarada prender as madeixas, ele não queria, aí insistiram tanto que ele aceitou que trouxessem um elástico. E então ele olha atônito pro acessório e diz “eu não sei amarrar o cabelo”. Risadas gerais. "Cê tá brincando, né?", "Nem tô, sei fazer isso não", aí a fiscal vai lá e prende. Muita boa vontade da parte dela, devo dizer antes de mais nada, afinal eu teria gritado “Larga de migué! Ninguém fica com o cabelo desse tamanho sem ter precisado deixá-lo seguro numa partida de futebol! PEGA ESSA PORRA DESSE ELÁSTICO E AMARRA ESSA...” e assim por diante. Mas aí, no fim do processo, que foi muito ligeiro e improvisado, ficaram dois cachinhos de cabelo soltos, e ele ficou parecendo um judeu ortodoxo. Nada contra, só ficou engraçado. E eu tive crises de riso e vontade de ir lá e fazer uma trança raiz nele durante a prova toda.
Não tem nada de filosófico nisso, eu só precisava contar pra alguém que isso aconteceu. Fim.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pequeno discurso sobre o tesão

Postado por MissHachi7 às 19:30 0 comentários

Já é a terceira vez em que eu conheço um cara legal, converso com ele por horas, penso no quanto dei sorte de encontrar alguém bonito, inteligente e engraçado, fantasio que vamos tomar café até passar mal enquanto falamos sobre como Nietzsche mudara nossa vida, ou de como Milan Kundera realmente sacara toda a humanidade num só livro, ou da forma com que Deleuze realmente faz sentido, mas que não sabemos explicá-lo pra ninguém............... para no final o “mano” me dizer algo estúpido como “quer ir pra outro lugar?” ou “na minha casa ou na sua?”. Eu não acredito que todos os homens sejam assim – preciso duvidar disso, ou vou desistir da espécie humana.
Nada contra uma boa sacanagem, muito pelo contrário; não sou do tipo conservador e moralista – no final todo moralista é um hipócrita. Só acho que o tesão físico devia vir como algo secundário, não devia ser o que começa um relacionamento. Tudo tem, sim, que começar com tesão, mas não especificamente com o físico: isso confunde muitas coisas, e no fim todos saem desapontados e frustrados, especialmente aqueles que buscam não apenas quem os complete nos desejos instintivos, mas também em todos os requintes que ser uma alma imortal implica.
Por exemplo, o tesão de se ouvir uma música extraordinária (só um comentário: toda vez que escrevo “tesão”, o Word me manda trocar por “excitação”. Que porra é essa?), de se ver uma atuação emocionante, de se abraçar a um amigo que sumiu há anos, de se correr em volta de um campo no treino de rugby (esse último quase não me vem, mas estou trabalhando nisso). Tesão em conversar sobre o que nos interessa. Poder versar sobre autores diferentes, xingar todos os que poupam o público de um bom e libertador palavrão, ter pena de todos os que se prendem a pequenas convenções e não se soltam.
Tesão de assistir uma palestra, livre de qualquer responsabilidade ou obrigação, sentir prazer em ouvir alguém, em estar na presença dele, em poder compartilhar e assimilar idéias. Tudo isso acabou? Eu dormi e acordei tarde demais? Não faço idéia de como alguém possa pular tudo isso, ignorar tantas formas diferentes e gostosas de curtir a presença alheia. Afinal, se não rola o desejo de fazer nada disso, se não há vontade nem de conversar de verdade... Pra que se amarrar? E a resposta sempre é “você na sua casa e eu na minha, adiós”.

Tempestade Ideológica. Ou pouco lógica.

Postado por MissHachi7 às 19:18 0 comentários

Hoje pensei tanto que achei que ficaria louca. Não foram só pensamentos da forma habitual, daqueles que vêm em fila e você aprecia cada um, pode analisar a inutilidade [ou não] característica do tipinho, saboreia cada linha que parte dele e segue adiante. Eu fui atacada por idéias. Muitas. Múltiplas. Várias. Um tanto, um monte. Idéias vieram de todos os recônditos da minha mente, criaram verdadeiros enxames dentro da minha cabeça, zonearam toda a [parca] organização que eu já estabelecera por ali, explodiram em cores, tons, intensidades, momentos, e eu precisei entrar em standby por um instante.
Pensamentos são como problemas. Não há exatamente uma forma de lidar com um de cada vez. E, falando em propósito da minha própria experiência, é raro o dia em que eu me concentro sem interferências internas. Meu cérebro põe músicas em volumes absurdos pra tocar enquanto estou estudando. Às vezes olho ao meu redor na biblioteca pra ter certeza de que ninguém está ouvindo, tão alto e forte é o som que rola por aqui. E quando imagens e sons misturam-se? O inferno abre uma filial nas minhas idéias toda vez que começo a ter tempestades de pensamentos.
Só para constar da miríade de caraminholas que se passaram por aqui hoje:
- Não faz muito sentido a Monica e o Chandler ficarem juntos no final de Friends. Ela devia voltar para o Richard. Pesquisar “que porra foi aquela da Monica e do Chandler?”.
- Pesquisar “demagoga” (o que ele quis dizer quando gritou isso pra mim?).
- Gestalt x Gestapo – sinto que há uma diferença, mas não me lembro nem por decreto de qual é.
- “Os mestres da morte” – ler impreterivelmente na semana que vem. BAIXAR antes que o site seja bloqueado!
- Os irmãos Grimm tinham algum problema, ou viviam perto de muitos problemas, ou tinham uma imaginação muito fértil para crueldades. Mas a Disney foi sacana de mentir tão descaradamente a respeito da magia das histórias, saber do sofrimento e da safadeza das princesas faz com que elas sejam bem mais respeitáveis do que aquelas babacas que só miam o tempo todo “oh, oh, ah, uh”. Parece soft porn.
- Natal é uma época feliz, sim. Mas músicas natalinas são um sofrimento desnecessário. DESNECESSÁRIO, mas muitas coisas boas o são.
- Aquelas pessoas irônicas um dia terão o que merecem. Se é que merecem alguma coisa, filhos da...
- Vestibular é uma coisa engraçada, me mata de estudar, pra depois me matar de rir, pra depois me matar de chorar... pra me matar de estudar de novo. Cacete.
- Quero globos de espelho pra pendurar no meu quarto inteiro. Vai ser o lugar mais iluminado do mundo. Mais do que boate. Se bem que toda boate vive de penumbras... Oquei, mais iluminado que Gandhi, e já é muito.
- O que é “wistful”? De alguma forma, sinto que estou “wistful” hoje, mas não me lembro do que significa isso.
- Detesto me mudar de casa. TODOS os interruptores mudaram de lugar, e eu alcanço o vazio quando quero acender a luz. Lembrar: não sair da cama sem ligar a luz, tem cacos de vidro no chão.
- Por que sufrágio parece uma coisa tão ruim, se é boa pra democracia? A Phoebe me fez pensar nisso. Se bem que eu não ache a democracia a melhor coisa do mundo.
Eu sei que minha cabeça parece entediante, mas é porque está tudo organizadinho aqui. Imagine todas as essas considerações atropelando-se umas às outras, macaqueando como loucas... Durante uma aula de Física. Choremos.

Louca

Postado por MissHachi7 às 19:14 0 comentários

Manhã tediosa, escritório de advocacia. A porta se abre com violência e adentra uma figura peculiar. Luciana, vestida como se fosse para um baile de gala (“às nove da manhã?”), cabelos revoltos.
- Marcelo? - ela gritou, aparentando insanidade. Todos a encaravam, e não era para menos: ela toda era completamente improvável. Algumas pessoas ali deviam estar pensando “Tenho que trabalhar menos, estou vendo coisas”. Mas o drama dela era muito real, e sua dor a impelia a continuar - Só para constar: você não é NINGUÉM! Não me conhece tanto quanto pensa, não faz idéia sequer de metade do que eu já vi, ouvi e vivi! Não preciso da sua estúpida ajuda para enfrentar o mundo como você pensa que ele é. Não preciso de você!
“Por que ninguém chama a segurança?”, “Quem é essa louca?”, “Alguém, pelo amor de Deus, a faça parar com esse drama”. A mulher estava visivelmente alterada. Álcool? Drogas? Simplesmente um amor que não deu certo? Todos se entreolhavam, sem vontade ou coragem de tentar se aproximar dela. A maquiagem borrada sob os olhos, escorrendo arrastadas pelas lágrimas, a dificuldade em arrastar o vestido por entre as mesas, tudo inspirava pena; no entanto, ao mesmo tempo, a atitude agressiva e o olhar acusatório afastavam qualquer intenção de ajuda.
- Aonde é que ele está? Não o ajudem a se esconder. – ela continuava gritando. – Marcelo? MARCELO! Eu não vou pedir mais para você voltar para mim! – miou, com sua tristeza contagiando o ambiente. – Eu só quero contar o quanto estou lidando bem com tudo sem você! – sua voz tremia, e a energia com que adentrara o cômodo parecia ter sido drenada de seu corpo. Agora era só uma mulher tão triste que dava pena.
Alguns homens riram. Luciana, era visível, não estava lidando bem com nada. Era a imagem do desalento, da falta de sentido, do absurdo, da decadência. Uma mulher de alma menos endurecida levantou-se, abraçou-a pelos ombros com delicadeza, mas firmemente, e a tirou daquele lugar. Na sala de Xerox, conseguiu fazê-la beber água e tentou explicar: Marcelo havia pedido transferência havia quase dois meses. Estava em outro estado. Luciana estava fazendo papel de idiota. Seus nervos, já em petição de miséria, não suportavam mais nada.
- Mas ele disse que eu podia procurá-lo quando estivesse melhor! – soluçava. – O que eu faço? – Luciana agarrava os braços da única aliada. – Não tem nenhum motivo para eu estar tão bem, se ele não estiver aqui para comprovar. Como ele pode saber que eu superei tudo? – suas unhas cravaram mais forte, em desespero.
A pobre mulher, já arrependida do seu arroubo de caridade, sugeriu que ela voltasse para casa.
- Você não parece nada bem. Procure ajuda. Amigos. Psicólogos. Remédios. Esse Marcelo não merece sua... dedicação. – tentou. – Olha, ele te prometeu uma coisa, fez outra, largou você num estado mental discutível... – sob um olhar acusatório de Luciana, ela mudou de tom. – O que estou dizendo é que você devia prestar atenção no papel ridículo por que está passando por um cara idiota que não a merece.
- Ridículo? – ela piscou, sem entender.
- Pelo amor de Deus, você está com um longo vermelho cheio de cristais, de manhã, descabelada, com a maquiagem borrada, todo um drama... por alguém que já foi embora e não quer você! Falando seriamente, após pensar muito a sério, acha que ele está ao menos triste por não vê-la mais?
A triste louca pareceu vacilar por um instante. Encarou todo um vazio através do teto. Seus olhos saíram de foco e depois ficaram brilhantes, repletos de uma compreensão que a derrotou.
- Não mesmo. – fungou Luciana, afrouxando um pouco o aperto. – Era um perfeito filho da puta.
- Um perfeito filho da puta. – assentiu a outra, aliviada por ela estar parando com o choro e libertando-a.
- Mas era o MEU perfeito filho da puta. – Luciana baixou os olhos. Soltou-a, frouxa. O rosto inchado permitia inferir-se que devia ser muito bonita quando penteava o cabelo e não saía por aí gritando pelo namorado fugitivo. – Desculpe-me por todo esse espetáculo. Eu realmente só queria que ele pensasse que eu estava bem sem ele. – por um instante, pareceu que iria recomeçar o drama, mas engoliu as lágrimas, digna. – Ele me superou tão rápido. Talvez eu devesse tentar com mais dedicação... Buscar ajuda numa clínica especializada em corações partidos? Talvez mergulhar em aulas de canto... – seus olhos voltaram a ficar da mesma névoa de falta de razão, e ela sorria de uma forma que dava medo. – Viajar para a Itália, viver como cantora até o vinho acabar com minha voz, e então morar num pequeno apartamento cercada de calopsitas por todos os lados até a morte me levar...
A mulher já não estava mais ouvindo, estava fora da sala ligando para uma ambulância.

Salva pelo rubgy

Postado por MissHachi7 às 19:11 1 comentários

Sempre fui uma pessoa “de ossos fortes” [meus avós nunca me chamaram de gorda, sempre disseram “menina forte” ou “grandinha”; eufemismos de avós]. E desde sempre ouço sermões infinitos sobre o quanto eu precisava/preciso perder peso. Parecia que não havia nada que eu pudesse fazer por mim, enquanto fosse enorme e gorda. Eu só poderia fazer algo de interessante, de divertido, quando fosse magra.
Ultimamente estava sendo mais horroroso lidar com isso. Não sei, talvez seja o estresse, mas pensemos: 18 anos servem pra alguma coisa. Deveriam ter servido para me tornar uma daquelas pessoas [talvez felizes, talvez hipócritas, quem sou eu pra julgar?] que se gostam como são, acham ofensivo pra caralho alguém dizer que elas deveriam emagrecer e dispensam todas as sugestões de dieta com um “estou contente com meu corpo como ele é, obrigada”, acompanhado de um invariável movimento das mãos que indica as curvas do dito cujo. Mas não fiquei assim, e toda vez que me olho no espelho, desejo não ter feito isso.
A parte mais cansativa nem é precisar de uma dieta, até porque eu tenho uma pasta com todas as dietas existentes no planeta. Oquei, posso estar exagerando, mas provavelmente tenho mais dietas do que fotos no meu computador. O meu problema está no meu vício. Fui diagnosticada mesmo, eu sou viciada em comida. Eu me escondo pra comer. Eu escondo comida pra ninguém saber que eu como muito. Eu não como na frente dos outros, mas quase explodo quando chego a casa. Não é engraçado, mas eu sorrio quando penso nisso, afinal ser viciado em comida soa como algo cômico.
Eu achava que detestava exercícios. E por pensar assim, acabava detestando mesmo. Entrava para a academia, saía em três meses. Começava a fazer natação, passava a criar todo tipo de paranóia e não voltava mais. Academia, caminhada, academia, centro de emagrecimento, natação, nutricionista, academia, endocrinologista, caminhada, psicotrópicos, academia. Isso cansa.
Bom, agora eu estou no rugby (graças a uma amiga que me deu uma luz no momento mais necessário, aquela linda), e amo isso. Simplesmente. Não que eu faça muita coisa, ou que seja uma boa jogadora, mas ter algo que ocupe o corpo e a mente é revigorante. Um dos problemas de eu academiar é que minha cabeça fica muito à toa, e eu começo a divagar. Do tipo “não faço idéia do motivo pra eu estar malhando esses músculos, espero nunca ter que usá-los com vigor”, ou “estou tão entediada que espero que o lugar pegue fogo pra eu poder me entreter”, ou “será que se eu fizer o mesmo aparelho durante uma hora alguém vai notar?”, coisas assim. Inúteis.
No rugby, não. Sempre tenho que ficar atenta (não que eu consiga, mas é uma exigência), tenho que prestar atenção no que todos estão fazendo, tenho que formar as linhas certas, e afinal toda a correria, toda a técnica, toda a gritaria (“VAAAAAMO ALINE! EU TÔ TE VEEENDO, ALINE! COOOORRE ALINE! VOCÊ NÃO TÁ TROTAAANDO, ALINE! O PASSE É COM AS DUAS MÃOS, ALINE! TACKLE É COM AS COSTAS RETAS, ALINE!”) tem um objetivo: o jogo. Não é como se a gente ficasse se matando três vezes por semana só pra se divertir (apesar de nos divertirmos). Isso me motiva muito mais do que ficar na frente de um espelho repetindo movimentos que eu nunca faria na vida.
O que eu quero dizer (e quase esqueci, com tanta divagação), é que eu finalmente encontrei um lugar em que eu me encaixo – com todas as interpretações possíveis para isso. Não é fácil, não é uma brincadeira, e eu provavelmente nunca corri tanto, nunca suei tanto, nunca caí tanto... Mas, sinceramente, nunca me senti tão bem. Eu sou a pior de todas as pessoas do time, vivo mancando, canso muito rápido, meus passes saem tortuosamente, reclamo demais. E ainda assim, lá não me parece que eu sou gorda demais pra conseguir melhorar. Não parece que eu sou totalmente errada, nem faz sair me sentindo um lixo, o cocô do cavalo do bandido. Eu saio coberta de grama e terra, descabelada, e com um puta orgulho de fazer parte de um time de verdade, e poder contar pra quem quiser saber: eu jogo rugby.
 

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