quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pequeno discurso sobre o tesão

Postado por MissHachi7 às 19:30

Já é a terceira vez em que eu conheço um cara legal, converso com ele por horas, penso no quanto dei sorte de encontrar alguém bonito, inteligente e engraçado, fantasio que vamos tomar café até passar mal enquanto falamos sobre como Nietzsche mudara nossa vida, ou de como Milan Kundera realmente sacara toda a humanidade num só livro, ou da forma com que Deleuze realmente faz sentido, mas que não sabemos explicá-lo pra ninguém............... para no final o “mano” me dizer algo estúpido como “quer ir pra outro lugar?” ou “na minha casa ou na sua?”. Eu não acredito que todos os homens sejam assim – preciso duvidar disso, ou vou desistir da espécie humana.
Nada contra uma boa sacanagem, muito pelo contrário; não sou do tipo conservador e moralista – no final todo moralista é um hipócrita. Só acho que o tesão físico devia vir como algo secundário, não devia ser o que começa um relacionamento. Tudo tem, sim, que começar com tesão, mas não especificamente com o físico: isso confunde muitas coisas, e no fim todos saem desapontados e frustrados, especialmente aqueles que buscam não apenas quem os complete nos desejos instintivos, mas também em todos os requintes que ser uma alma imortal implica.
Por exemplo, o tesão de se ouvir uma música extraordinária (só um comentário: toda vez que escrevo “tesão”, o Word me manda trocar por “excitação”. Que porra é essa?), de se ver uma atuação emocionante, de se abraçar a um amigo que sumiu há anos, de se correr em volta de um campo no treino de rugby (esse último quase não me vem, mas estou trabalhando nisso). Tesão em conversar sobre o que nos interessa. Poder versar sobre autores diferentes, xingar todos os que poupam o público de um bom e libertador palavrão, ter pena de todos os que se prendem a pequenas convenções e não se soltam.
Tesão de assistir uma palestra, livre de qualquer responsabilidade ou obrigação, sentir prazer em ouvir alguém, em estar na presença dele, em poder compartilhar e assimilar idéias. Tudo isso acabou? Eu dormi e acordei tarde demais? Não faço idéia de como alguém possa pular tudo isso, ignorar tantas formas diferentes e gostosas de curtir a presença alheia. Afinal, se não rola o desejo de fazer nada disso, se não há vontade nem de conversar de verdade... Pra que se amarrar? E a resposta sempre é “você na sua casa e eu na minha, adiós”.

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