quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Salva pelo rubgy

Postado por MissHachi7 às 19:11

Sempre fui uma pessoa “de ossos fortes” [meus avós nunca me chamaram de gorda, sempre disseram “menina forte” ou “grandinha”; eufemismos de avós]. E desde sempre ouço sermões infinitos sobre o quanto eu precisava/preciso perder peso. Parecia que não havia nada que eu pudesse fazer por mim, enquanto fosse enorme e gorda. Eu só poderia fazer algo de interessante, de divertido, quando fosse magra.
Ultimamente estava sendo mais horroroso lidar com isso. Não sei, talvez seja o estresse, mas pensemos: 18 anos servem pra alguma coisa. Deveriam ter servido para me tornar uma daquelas pessoas [talvez felizes, talvez hipócritas, quem sou eu pra julgar?] que se gostam como são, acham ofensivo pra caralho alguém dizer que elas deveriam emagrecer e dispensam todas as sugestões de dieta com um “estou contente com meu corpo como ele é, obrigada”, acompanhado de um invariável movimento das mãos que indica as curvas do dito cujo. Mas não fiquei assim, e toda vez que me olho no espelho, desejo não ter feito isso.
A parte mais cansativa nem é precisar de uma dieta, até porque eu tenho uma pasta com todas as dietas existentes no planeta. Oquei, posso estar exagerando, mas provavelmente tenho mais dietas do que fotos no meu computador. O meu problema está no meu vício. Fui diagnosticada mesmo, eu sou viciada em comida. Eu me escondo pra comer. Eu escondo comida pra ninguém saber que eu como muito. Eu não como na frente dos outros, mas quase explodo quando chego a casa. Não é engraçado, mas eu sorrio quando penso nisso, afinal ser viciado em comida soa como algo cômico.
Eu achava que detestava exercícios. E por pensar assim, acabava detestando mesmo. Entrava para a academia, saía em três meses. Começava a fazer natação, passava a criar todo tipo de paranóia e não voltava mais. Academia, caminhada, academia, centro de emagrecimento, natação, nutricionista, academia, endocrinologista, caminhada, psicotrópicos, academia. Isso cansa.
Bom, agora eu estou no rugby (graças a uma amiga que me deu uma luz no momento mais necessário, aquela linda), e amo isso. Simplesmente. Não que eu faça muita coisa, ou que seja uma boa jogadora, mas ter algo que ocupe o corpo e a mente é revigorante. Um dos problemas de eu academiar é que minha cabeça fica muito à toa, e eu começo a divagar. Do tipo “não faço idéia do motivo pra eu estar malhando esses músculos, espero nunca ter que usá-los com vigor”, ou “estou tão entediada que espero que o lugar pegue fogo pra eu poder me entreter”, ou “será que se eu fizer o mesmo aparelho durante uma hora alguém vai notar?”, coisas assim. Inúteis.
No rugby, não. Sempre tenho que ficar atenta (não que eu consiga, mas é uma exigência), tenho que prestar atenção no que todos estão fazendo, tenho que formar as linhas certas, e afinal toda a correria, toda a técnica, toda a gritaria (“VAAAAAMO ALINE! EU TÔ TE VEEENDO, ALINE! COOOORRE ALINE! VOCÊ NÃO TÁ TROTAAANDO, ALINE! O PASSE É COM AS DUAS MÃOS, ALINE! TACKLE É COM AS COSTAS RETAS, ALINE!”) tem um objetivo: o jogo. Não é como se a gente ficasse se matando três vezes por semana só pra se divertir (apesar de nos divertirmos). Isso me motiva muito mais do que ficar na frente de um espelho repetindo movimentos que eu nunca faria na vida.
O que eu quero dizer (e quase esqueci, com tanta divagação), é que eu finalmente encontrei um lugar em que eu me encaixo – com todas as interpretações possíveis para isso. Não é fácil, não é uma brincadeira, e eu provavelmente nunca corri tanto, nunca suei tanto, nunca caí tanto... Mas, sinceramente, nunca me senti tão bem. Eu sou a pior de todas as pessoas do time, vivo mancando, canso muito rápido, meus passes saem tortuosamente, reclamo demais. E ainda assim, lá não me parece que eu sou gorda demais pra conseguir melhorar. Não parece que eu sou totalmente errada, nem faz sair me sentindo um lixo, o cocô do cavalo do bandido. Eu saio coberta de grama e terra, descabelada, e com um puta orgulho de fazer parte de um time de verdade, e poder contar pra quem quiser saber: eu jogo rugby.

1 comentários:

Bruna Silveira disse...

Sua linda! rsrsrs lembra que eu te disse? Mesmo que a gente não se aceite como é, o tal do rugby aceita mesmo assim hehe é um esporte que demanda MUITO esforço, mas que te devolve esse esforço no orgulho e nos ganhos. Espero de coração que você se una a nos cada vez mais, participe cada vez mais e que chame esse time de família com o peito cheio de orgulho! estaremos sempre lá pra ralhar com você, mas acima disso, pra te reforçar e reconhecer suas vitorias. vitorias que começam em conseguir dar tres voltar no campo e vão em direção ao primeiro jogo e primeiro try. eu chorei no meu rsrs espero me emocionar e estar presente no seu! Sinto muito orgulho de você, porque você escolheu sair do lugar e mudar. Você não estava contente e fez algo sobre isso. e o sucesso vem para aqueles que agem. Parabéns e obrigada demais pela chance de te conhecer e me unir a você nessa luta!

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