domingo, 20 de janeiro de 2013

Metade

Postado por MissHachi7 às 16:06 0 comentários
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...


Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...


Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...


Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...


Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...


Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...


Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...


E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

(Oswaldo Montenegro)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Tédio

Postado por MissHachi7 às 15:08 0 comentários
Ir levando no caminho os amores perdidos
e os sonhos idos
e os fatais sinais do olvido.

Ir seguindo na dúvida das horas apagadas,
pensando que todas as coisas se tornaram amargas
para alongarmos mais a via dolorosa.

E sempre, sempre, sempre recordar a fragrância
das horas que passam sem dúvidas e sem ânsias
e que deixamos longe na estéril errância.
(Pablo Neruda)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Espelho

Postado por MissHachi7 às 15:06 0 comentários
Sou de prata e exato. Não faço pré-julgamentos.
O que vejo engulo de imediato
Tal como é, sem me embaçar de amor ou desgosto.
Não sou cruel, simplesmente verídico —
O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.
Reflicto todo o tempo sobre a parede em frente.
É rosa, manchada. Fitei-a tanto
Que a sinto parte do meu coração. Mas cede.
Faces e escuridão insistem em separar-nos.

Agora eu sou um lago. Uma mulher se encosta a mim,
Buscando na minha posse o que realmente é.
Mas logo se volta para aqueles farsantes, o brilho e a lua.
Vejo as suas costas e reflito-as na íntegra.
Ela paga-me em choro e em agitação de mãos.
Eu sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã a sua face alterna com a escuridão.
Em mim se afogou uma menina, e em mim uma velha
Salta sobre ela dia após dia como um peixe horrível.
 (Sylvia Plath)

Abandonada, gatos e vinho

Postado por MissHachi7 às 14:48 0 comentários
"Pensando em todas aquelas memórias
Como seu toque era tão suave
Seus olhos, eles eram tão verdes
Eu nunca teria sabido o quanto
Você poderia vir a significar tudo para mim"

      Desliguei a música quando chegou nessa parte. Não precisava de ninguém me lembrando de toda a minha dor por ter sido abandonada, nem de toda a doçura do meu próprio passado. E foda-se o fato de a cantora não ter culpa da minha amargura. Toda música que trouxesse esse tipo de lembrança devia sumir, era o que eu achava. Arrastei minha dor, meu corpo e minhas roupas, que tocavam o chão, para o divã. Joguei-me no pobre móvel, e observei, meio caída sobre meu ombro, o rastro que deixei na poeira da sala.
      Ninguém me visitava havia semanas, e eu não me preocupava em limpar nada. Se eu não estivesse ali, diria que era uma casa abandonada. Os gatos sentados sobre a mesa de centro me encararam com rancor, julgando-me uma péssima mãe para eles. Mostrei a língua aos três. Se quisessem, poderiam limpar o que quisessem, eu estava muito bem.
      "Muito bem". Quanta hipocrisia. Tudo de que sempre tivera medo tornara-se realidade e eu afirmava estar bem. E afirmava AOS GATOS. Obviamente não estava nada bem. Mas no torpor etéreo que a tristeza (e talvez as garrafas de vinho) me proporcionavam, eu só alternava meu estado de espírito em duas fases: culpa e ódio. A culpa vinha sempre que a consciência permitia pensar no amor que fora embora por minha causa. O ódio, em ocasiões como aquela, em que tudo parecia conspirar para que me lembrasse disso.
      Músicas, pessoas, filmes... e agora meus gatos! Tudo me dizia: "vê o quanto você é falha? O quanto você é errada e estraga tudo?" Eles que fossem para o inferno. Já era ruim o suficiente ter a própria mente parada nas mesmas frases. "Foi bom enquanto durou, mas eu preciso de mais do que isso para ser feliz." E ele se foi. Como eu me deixara apaixonar por alguém tão inconstante? Como alguém assim prendeu meu coração, para começo de conversa? 
      Eu devo mesmo ser muito errada, pensava. Aposto que foram os estúpidos olhos verdes. Sempre soube que essa minha fraqueza por olhos verdes seria minha ruína. Por que ele se aproximou, se queria ir embora de qualquer maneira? Por que ele não me levou? Não. Esse pensamento não! E agarrei a garrafa aberta de vinho que estava no chão havia dias e bebi. Assim estava melhor. Quente por dentro. Como se tivesse acabado de abraçá-lo. Não! Não, mais vinho, que essas besteiras iriam embora.
      Os gatos miavam e eu chorava.

Eterna segunda-feira

Postado por MissHachi7 às 14:18 0 comentários
Folhas caídas como um cobertor aos meus pés
Há uma constelação de estrelas, e eu só sinto sua falta
De repente, o mundo é grande demais
E as horas passam devagar demais
E eu só queria que você estivesse me abraçando.  
 
Sete dias - parecem mais um ano.
Você sussurra ao telefone
Que sabe, eu sinto sua falta como louca.
Então você poderia roubar um avião,
Um barco, o trem mais rápido...
Você sabe que nada parece o mesmo quando você está longe.

Porque toda vez que você vai embora
O brilho do sol começa a sumir
Congelado pelas mãos do tempo 
Numa eterna segunda-feira.
Me pegue de volta em seus braços,
E nunca mais me deixe ir...
Porque quando eu te vejo entrar por aquela porta
Eu não estou mais perdida,
Eu estou em casa...

Eu não vou dormir, enquanto você não estiver finalmente ao meu lado
Mal posso esperar para inspirá-lo
Não quero desperdiçar o meu tempo sonhando...
Eu só quero tratar seu nome como um suspiro em minha pele
E nunca ter que dizer adeus novamente.

Porque quando eu te sinto aqui bem perto de mim,
Tudo está no lugar em que deveria estar...
 
(Jordin Sparks)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Perdoar é simples, não fácil.

Postado por MissHachi7 às 16:09 0 comentários
      As decisões mais difíceis de tomar geralmente são as mais importantes. Não pela importância em si, mas pelo que ela nos tira, pelo que ela nos acrescenta, pelo que ela nos traz. Para ser mais clara, o que nos pesa na tomada de uma atitude, na hora de uma escolha, não é o que escolhemos, mas as consequências que virão dessa escolha. Dessa forma, não nos importa muito, por exemplo, "ir embora" ou "ficar" como ações em si, mas no que elas acarretarão: saudades, mudança, melhoras, movimento, evolução.
      E entre as dificuldades da vida, que não são poucas, há aquela em que esbarramos sempre, mas ignoramos em prol da nossa consciência: perdoar. Quantas vezes tivemos a oportunidade de perdoar um erro, uma ofensa, mas não o fizemos por orgulho? 
     Não estou pregando, calma. É praticamente o contrário. Estou admitindo que vejo a falta em mim: falta humildade, amor, fé. Então não posso pregar nada. Eu só me assustei ao perceber o quanto eventos mínimos causam mágoas tão grandes em mim. E mais ainda, assustei-me porque achava que tinha desculpado todas as pessoas na época em que elas me machucaram. Mesmo assim, volta e meia me pego planejando fins tristes para elas. Isso significa que eu não perdoei. E quem se cansa com isso? Eu.
    E estou falando sério: há situações do Jardim de Infância que até hoje me assombram, e cujos personagens ainda me causam repulsa, raiva, ódio até. E com certeza eles nem se lembram de que tais situações ocorreram; com certeza não carregam esse halter moral para onde vão. É irritante acordar chateada com pessoas cujos nomes nem me vêm mais à memória. É um desperdício de energia. Perdoar seria o mais lógico, o mais correto, o melhor. 
    Então me ajudem. Como?
   Afinal, não é apenas uma questão de deixar para lá. Eu fiz isso na ocasião, e, bem, ainda está tudo aqui. Perdoar é concordar, de corpo e alma, com o fato de não se importar mais com a questão. É perceber que o câncer que você deseja para os outros cresce é em você. Parar de vibrar o mal. É finalmente aceitar que o que passou e acabou... é isto, acabou. A maioria se agarra aos infortúnios passados, reúne forças e se vinga. Doentio, não? Com perdão, quanta gente seria mais feliz?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Pequena nota

Postado por MissHachi7 às 15:01 0 comentários
“Honestamente, não peço mais do que aquilo que me aparece à frente nesta vida. Tive a sorte de estar presente quando o sol brilhava, a chuva caía e o peixe mordia. Desde que possa olhar para o oceano ou deitar-me e sentir-me quente à noite ao ouvir o vento uivar, não há nenhuma merda que me possa ferir.” - Lee Marvin

 Achei no Wand'rin' Star, identifiquei algum sentimento que me tocou... Ei-lo.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Finalmente enxergando meu quarto

Postado por MissHachi7 às 20:05 0 comentários

Eu me deito no chão do quarto e vejo os reflexos dos globos de espelhos nas paredes, e tudo parece estranhamente leve e etéreo. Talvez seja apenas a luz, talvez seja a diferença de perspectiva, mas neste momento a minha vida é linda. Nada me convence a sair daqui agora. Os desenhos de flores, pássaros e conchas na parede sobre a cama parecem dançar sutilmente, seguindo os raios luminosos que se espalham como música.
Penso em quanto tempo tive para fazer isso antes, sem jamais tentar. Olhar o mundo [meu mundo] de cabeça pra baixo, de um ponto tão inusitado... e enxergá-lo tão bem. A grande questão reside no momento. Os potes de tinta meio jogados sobre a cômoda não são uma bagunça, só mostram o quanto me diverti podendo relaxar, sujar a mesa, a janela e o chão com cores que eles nunca imaginaram que pudessem os cobrir. Como eu, que nunca imaginava que pudesse ser coberta de carinho. É uma sensação boa, e eles devem estar aproveitando.
As cinzas dos incensos cobrem metade da minha mesa e não me parecem um sinal de displicência. A madeira adocicada deixou meu quarto com um delicioso aroma de sonho, e todo o conjunto é harmônico e delicado. Talvez, para que tudo seja um sonho, falte apenas o sono e o REM. O chão está fresco e não me incomodo com a possibilidade de um resfriado. Estendo a mão e busco meu cachorro de pelúcia, Shaggy. Abraçada a ele, importo-me menos ainda com o estado das coisas reais.
A pilha de agendas encostadas no armário parece lamurienta, reclamando contra o abandono a que as entreguei. Mesmo isso me parece bonito, porque na minha cabeça esse choro se mistura a músicas aleatórias e eu gosto de como fica. Murmuro “vou voltar, calma”, e elas passam a cantarolar baixinho, eu fecho os olhos para ouvir melhor. Talvez eu esteja mesmo ficando louca. A bola de rugby sobre a cama parece estar me julgando, pelos resmungos. O espelho ameaça cair sobre minha cabeça se eu não sair do chão.
E é uma pena ser obrigada a me levantar, notar que está tudo simplesmente bagunçado e precisar desmanchar minha fantasia acalentadora. Talvez aconteça de novo, em outro lugar, outro momento... ou outra vida. Afinal, não é apenas uma questão de me deitar no chão e me deixar levar pelo meu próprio desejo de estar em outra situação... é uma convergência de linhas que se cruzam uma vez. Eu posso tentar amanhã, e depois, e depois... Não será, nunca mais, a mesma coisa. Não aqui.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Teoria pedagógica óbvia

Postado por MissHachi7 às 14:35 0 comentários
         Uma vez explicada por um professor, toda a matéria de qualquer disciplina se mistura com lembranças, ideias e devaneios e acaba se tornando opaca, confusa e enganosa. Parece uma lei, e para algumas pessoas é como se fosse. A grande dificuldade da maioria reside não no conteúdo em si, mas na compreensão da forma como ele é transmitido. Desde que as diferentes mandeiras de se apreender informações sejam identificadas e levadas em conta no intuito de aprender e ensinar, é possível tornar disciplinas tediosas em interessantes exposições temáticas. Pra mim é fácil falar, só dou aula de biologia...

Se minha alma não tivesse sido vendida para o vestibular

Postado por MissHachi7 às 14:29 0 comentários
- estaria mais feliz, porque também não iria para a faculdade, e poderia viver a liberdade LIBERDADE que eu ainda desconheço e não sei se vou conhecer;
- pintaria muito, arrumaria mil tintas e sairia colorindo tudo, do meu quarto aos cabelos dos meus irmãos, passando por paredes, armários, chão e animais;
- passaria dias e noites sem dormir (SOU CAPAZ DE FICAR ACORDADA ATÉ DEPOIS DAS ONZE, SIM!) lendo todos os livros que estão encalhados no bolor da prateleira e que me causam tanta tristeza com seu abandono;
- conversaria mais com meus amigos, e nunca mais precisaria interromper um bom papo com o detestável "tenho que estudar, desculpe" ou "vou dormir que tenho aula daqui a duas horas";
- dançaria;
- jogaria rugby até ficar realmente boa nisso, teria hematomas de gente e conseguiria correr seis vezes ao redor do campo sem sentir que o ar está me abandonando;
- faria aulas de francês;
- participaria de algum programa de TV do tipo "cante ou morra", coisas do tipo;
- cultivaria melhor minhas agendas, pobrezinhas, abandonadas há mais de um ano...
- explicaria aos meus irmãos o quanto essa besteira de se matar de estudar é besteira. E não estaria sendo redundante, estaria sendo enfática. É diferente.


O pior nem é não poder fazer nada disso. Até porque conheço muita gente que tem tempo e não aproveita, e não é feliz... O que me dói é que são coisas relativamente simples, e que talvez eu nem precisasse me esforçar tanto assim para consegui-las... E que talvez ficar sem elas seja um preço alto demais para um sonho tão vago.
 

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