sábado, 12 de janeiro de 2013

Finalmente enxergando meu quarto

Postado por MissHachi7 às 20:05

Eu me deito no chão do quarto e vejo os reflexos dos globos de espelhos nas paredes, e tudo parece estranhamente leve e etéreo. Talvez seja apenas a luz, talvez seja a diferença de perspectiva, mas neste momento a minha vida é linda. Nada me convence a sair daqui agora. Os desenhos de flores, pássaros e conchas na parede sobre a cama parecem dançar sutilmente, seguindo os raios luminosos que se espalham como música.
Penso em quanto tempo tive para fazer isso antes, sem jamais tentar. Olhar o mundo [meu mundo] de cabeça pra baixo, de um ponto tão inusitado... e enxergá-lo tão bem. A grande questão reside no momento. Os potes de tinta meio jogados sobre a cômoda não são uma bagunça, só mostram o quanto me diverti podendo relaxar, sujar a mesa, a janela e o chão com cores que eles nunca imaginaram que pudessem os cobrir. Como eu, que nunca imaginava que pudesse ser coberta de carinho. É uma sensação boa, e eles devem estar aproveitando.
As cinzas dos incensos cobrem metade da minha mesa e não me parecem um sinal de displicência. A madeira adocicada deixou meu quarto com um delicioso aroma de sonho, e todo o conjunto é harmônico e delicado. Talvez, para que tudo seja um sonho, falte apenas o sono e o REM. O chão está fresco e não me incomodo com a possibilidade de um resfriado. Estendo a mão e busco meu cachorro de pelúcia, Shaggy. Abraçada a ele, importo-me menos ainda com o estado das coisas reais.
A pilha de agendas encostadas no armário parece lamurienta, reclamando contra o abandono a que as entreguei. Mesmo isso me parece bonito, porque na minha cabeça esse choro se mistura a músicas aleatórias e eu gosto de como fica. Murmuro “vou voltar, calma”, e elas passam a cantarolar baixinho, eu fecho os olhos para ouvir melhor. Talvez eu esteja mesmo ficando louca. A bola de rugby sobre a cama parece estar me julgando, pelos resmungos. O espelho ameaça cair sobre minha cabeça se eu não sair do chão.
E é uma pena ser obrigada a me levantar, notar que está tudo simplesmente bagunçado e precisar desmanchar minha fantasia acalentadora. Talvez aconteça de novo, em outro lugar, outro momento... ou outra vida. Afinal, não é apenas uma questão de me deitar no chão e me deixar levar pelo meu próprio desejo de estar em outra situação... é uma convergência de linhas que se cruzam uma vez. Eu posso tentar amanhã, e depois, e depois... Não será, nunca mais, a mesma coisa. Não aqui.

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