sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Terapia

Postado por MissHachi7 às 15:56
   Era a quinta vez que eu pedia a meu marido que procurasse ajuda. Não sabia exatamente o motivo, mas ultimamente ele havia começado a mentir. Nada que me ferisse o orgulho (pelo menos não que eu saiba), mas umas mentirinhas bobas que não faziam sentido. Sabe? Mentia sobre ter engraxado os sapatos ou não de manhã, sobre gostar ou não do almoço que serviram na empresa. Mentia que ia lavar a louça do almoço, mentia que não ia varrer a calçada.
   Eu não sabia se era o estresse, a pressão, ou se ele simplesmente decidira evitar a verdade no que era mais ou menos irrelevante. Mas dali para a mentira grandiosa talvez fosse um pequeno passo, e eu não queria correr riscos. E se ele mentisse sobre estar trabalhando e não estivesse? Ou sobre me amar e não amasse?
   Perguntava pra ele por que ele não era sincero nas amenidades e ele sempre respondia que estava, sim, sendo sincero. Oh, céus, para quê tamanha precisão no mentir?
   Levei-o à terapia à força. Amarrado com corda de fios sintéticos e amordaçado para não deixar escapar mais nenhuma miudeza falsa, arrastei-o até o consultório de um terapeuta que havia tratado o primo da vizinha de uma colega de trabalho da minha irmã. Muito confiável. Ao conseguir puxá-lo até a sala onde aconteceria a conversa, pedi ao senhor que não acreditasse muito nele, mas que tentasse descobrir a causa e a cura, usando os métodos que julgasse convenientes.
   Tirei a mordaça do meu marido e ajudei-o a se sentar na cadeira. Dei um beijinho na testa e recomendei que se comportasse e fizesse aquilo tendo em mente que era para o bem dele, e para o bem da nossa relação. Ele sorriu e disse, tranquilo, que ia se comportar e que tinha certeza de que sairia dali um novo homem, muito melhor e mais honesto. 
   Horrorizada, arrastei-o de volta para casa e desisti.

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