segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Contradições

Postado por MissHachi7 às 17:56
"Sempre que vou corrigir meu passado, não entendo a letra." - Fabrício Carpinejar


   Sentada no chão frio do meu quarto, tentava recapitular os acontecimentos do mês, entre perdida e irritada. Espalhados ao meu redor, cópias de conversas e rascunhos de cartas dizendo, uníssono, que tudo daria certo. Ficaria bem, e daria certo, certo...

   O problema em pensar em retrospectiva é ver rostos tristes se alegrando à medida que se volta no tempo. É um pouco cruel com o coração e com a sanidade mental.

   Palavras mudam demais as coisas, a gente devia saber, devia lembrar!

   Depois que fala, sobra só a consciência de que partiu um coração, destruiu um futuro. 
   Sobra vontade de não ter dito nada.
   De ter dito diferente.
   Não lembrar que disse.
   Não ter que lidar com os efeitos das palavras.

   Bom, para explicar, não era minha intenção fazer aquilo com ele. 
   Aliás, eu havia me comprometido, logo no início, a ser diferente. Disse a ele, sem rodeios, que sempre partia o coração de quem se aproximava demais, mas não queria magoá-lo.
   Não tenho certeza sobre os meus motivos. No começo eu realmente me sentia bem em cuidar dele, cuidar de nós. Passar tempo juntos era a melhor atividade a que podíamos nos dedicar. Virávamos horas vagas para aproveitar melhor o nada em conjunto.
   Mas aos poucos, de não sei onde, surgiu a vontade de ver se eu podia fazer com seus sentimentos o que fazia com os dos outros. Se mudava alguma coisa o fato de haver ali uma chance de ser amor de verdade. Uma curiosidade mórbida. 

   Então, quando tudo parecia estar fluindo da melhor forma possível, fui até sua casa (não num dia qualquer, claro. No Dia dos Namorados), e comuniquei o fim. 
   Sem amortecedores, sem eufemismos, sem delicadezas, sem rodeios. 
   Avisei que não estava sendo como eu gostaria que fosse.
   Que nossa amizade seria afetada se continuássemos.
   E então, para arrematar, disse que devíamos continuar sendo os grandes amigos que éramos até então.

   Pude praticamente ver seus olhos se inflamarem em reação às minhas palavras.
   Talvez o brilho fosse uma mistura entre lágrimas e ódio. 
   Ele me mandou embora.

   Quis me sentir ofendida, mas não consegui. 

   Exigi, de pura maldade, um último beijo.
   Por um instante, pensei que fosse cuspir em mim.
   Mas o beijo veio rápido, seco, mais uma ordem de retirada do que uma despedida.

   Cheguei em casa exatamente como estou agora. 
   Sem saber exatamente por que fiz isso. 
   Por que tanto drama, tanta humilhação.

E mesmo assim, 
a noite chega, 
e meu ego e eu 
nos aconchegamos um ao outro, 
confortáveis nessa ignorância,
e protelamos a análise.
Boa noite.

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