sábado, 19 de outubro de 2013

Quase a primeira tatuagem

Postado por MissHachi7 às 07:47
   Fui fazer uma tattoo. Apesar de geralmente não ter uma fibra moral muito consistente, acabei me convencendo de que ter um desenho permanente em mim pudesse melhorar minha auto-imagem.  Estava me sentindo corajosa e criativa o suficiente, enfim, estava no modo mental perfeito para algo assim. Afinal, vivia dizendo para todo mundo que ia deixar um braço e uma perna fechados! Se eu nunca fizesse a primeira, nunca chegaria nesse ponto excepcional.
   Como eu vivia sem dinheiro e minha pindaíba era pouco lógica para alguém que mora com os pais, tive que ir num tatuador desconhecido, cuja confiabilidade não me era assegurada, mas que fazia um precinho camarada e ainda oferecia de brinde uma dose de vodka para anestesiar um pouco mais os sentidos.
   Enfim, na hora combinada pelo telefone, rumei para minha aventura, gigantesca para o que chamam estilo de vida burguês e pacato.
    Tinha decidido tatuar uma frase em alemão.
   O cara que ia fazer o trabalho estava afiando uma faca quando eu entrei no estúdio (o qual, devo admitir, era de dar medo... ficava muito afastado de tudo, era escuro, tinha caveiras que eu rezava para serem de mentirinha espalhadas pelo chão e as coisas eram meio sujas. Bom, o preço ainda era pagável....), e, talvez soe meio preconceituoso da minha parte, mas ele não parecia saber fazer algo além de bater em pessoas e xingar.
   Eu já estava reconsiderando o tamanho da minha necessidade de uma tatuagem, mas tinha medo de dizer que não queria mais e ele me matar. Então entabulei uma discussão a respeito de onde seria feita a maldita - antes eu estava considerando deixá-la plantada sobre alguma vértebra, mas a mera possibilidade de ficar de costas pro mano com a faca me dava arrepios. Não, melhor não.

TATUADOR: Então no pulso, tanto faz.  
Mas e se ele me matasse cortando alguma veia mais importantinha?
EU: Eu ia acabar me cansando de olhar pra ela...
Oh, céus, a agonia da decisão. 
TATUADOR: Nas costelas?  
E se ele perfurasse meu pulmão?
EU: Ah, eu sinto cócegas.
Essa foi genial.
TATUADOR: Então que tal no pescoço?  
HAHAHA não. Cadê a vodka, cara? Talvez ajude.
EU: Sabe o que é, eu não queria fazer no pescoço, porque... hã... minha religião! Ela não permite que eu... escreva em alemão... no pescoço. Especificamente.
Oquei, estava ficando sem argumentos. 
TATUADOR: Olha aqui, moça, eu não tenho todo o tempo do mundo pra você, não. Escolhe aí e vamo começar.
Ele não largou a faca.
OHMEUDEUS.
Ele ia fazer NA FACA? 
Veio pro meu lado. Faca na mão.

A porta ainda estava aberta atrás de mim.

EU, saindo de ré, trombando em mesinhas, derrubando penduricalhos e quase caindo em um gato que dormia no caminho: Oh, olhe a hora, eu estou atrasada, fica pra próxima, senhor, obrigada pelo seu tempo, tome aqui as 20 pratas, eu volto depois, viu, não precisa ir atrás de mim, eu acho a saída, desculpa qualquer coisa, abraço.


"Wenn es hart auf hart sind, ist es besser, die Hölle aus dorthin zu gelangen."




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