terça-feira, 28 de janeiro de 2014

"Cê nunca fala de mim"

Postado por MissHachi7 às 19:17

  Sabe quando a gente conhece uma pessoa e antipatiza imediatamente? 
   Assim que o Pablo chegou na minha sala, no terceiro colegial, eu decidi que não gostava dele. O fato de ele viver conversando com MEUS amigos não ajudou em nada. Como um ser fundamentalmente ciumento, eu via nele uma ameaça, e ia pra escola com o espírito preparado pra guerra. Minha ironia e meu sarcasmo foram destilados e concentrados naquela época, especialmente para o tratamento com ele.
   E mesmo sempre estando disposta a ser uma filha da puta com aquele mala, ele sempre ria de mim e fazia piada, zoava o fato de eu estar no terceiro colegial e nunca ter ficado com ninguém, e claro que meu mau humor não resistia mais com tanto vigor quanto no começo, mas mesmo assim eu não gostava muito dele. 
   Sempre que ele começava a conversar, eu ia escrever nas minhas agendas queridas.
   Acontece que nossa sala era do colegial de manhã e do ensino fundamental à tarde. Um belo dia, esqueci minha agenda quando fui embora, e a turma de quinta série que a encontrou simplesmente a destruiu. Fizeram bolinhas, origami, recortaram, colaram, sambaram, só não fizeram uma fogueira por falta de fósforos. 
   Agora eu vejo o meu exagero, mas é porque eu tenho mais amigos. Na época eu tinha alguns poucos amigos e minhas agendas, e só! Eu chorei copiosamente por dias, desolada. Os aluninhos pediram desculpas e me deram uma agenda nova, mas o lance das minhas agendas é que eu sempre peço para pessoas queridas escreverem lá, então eu tinha a agenda nova, mas não tinha tudo o que havia perdido com a destruição da outra. 
   O Pablo pegou minha agenda e escreveu um recado lá. 
   Foi a primeira pessoa a escrever, e eu fiquei tão surpresa com o que escreveu. 
   Nem era algo complexo, elaborado, foi uma mensagem do tipo "que sacanagem essas crianças fizeram, mas relaxa, uma agenda nova é um novo começo, a gente vai te ajudar". Eu fiquei emocionada, lógico. E apesar de ser uma mula quando decido não gostar de alguém, uma vez convencida de que estou errada sobre alguém, sou muito sincera na minha apreciação. E poucas vezes eu me engano em gostar ou não das pessoas, mas nossa, eu me enganei em relação ao Pablo.
   Depois disso, ele se tornou só meu melhor amigo. Sem exagero. Chegou ao ponto de nossos colegas reclamarem atenção, de os professores mandarem a gente sentar separado durante a aula (porra, no terceiro colegial precisar ser separado pela professora?), de eu chegar em casa cheirando cerveja porque ele - sempre ele - derramava em mim nas festas porque mesmo meio bêbado era ótimo conversar com ele, e a gente trocar ideias com uma sinceridade tão grande que beirava a falta de educação.
   E até hoje, não tem outro amigo pra quem eu tenha coragem de ligar de madrugada, ou de contar as burrices que eu faço, ou quem eu consiga ouvir de uma forma tão livre de julgamentos, ou que eu aceite que me acorde de madrugada pra absolutamente nada.  
   E apesar de você, seu mala sem alça, ter exigido que eu falasse do senhor... é algo que devia ficar registrado. Você é importante demais pra mim, mano. Sem mimimi agora. Te amo e tá no blog.

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