sábado, 24 de maio de 2014

"Nada inspira como a fossa"

Postado por MissHachi7 às 09:31 0 comentários

De fato.

Quando tudo corre de acordo com o planejado
não há histórias pra contar,
não há pensamentos para por abaixo escrevendo.

A tristeza criativa.
A depressão relativa obriga a ultra-pensar.
Só quando nos decepcionamos temos espaço para contar das expectativas.
Apenas quando desesperados concordamos em admitir que queríamos mais de quem não cederia.

E nos sentimos obrigados a considerar
hipóteses
teorias
nada como hipóteses e teorias para terminar de nos afundar na crise.

Desgraça pede companhia,
a miséria não quer se sentir tão só quanto nos sentimos,
e nos lembra de todas as outras falhas da existência...
Assim, temos sempre chateações pares.

Não acredita?
Se consegue pensar em uma tristeza,
com certeza conseguirá pensar em mais uma.
E se uma terceira chegar, sempre haverá uma quarta.
Somos feitos de melancolias pares, é um fato.

E somos criativos no sofrimento.
A felicidade só inspira em cores quentes,
não cabe no frio.

A inventividade em cinza corre em muito mais páginas,
muito mais palavras foram ditas poeticamente sob lágrimas que sob risos,
muito mais canções foram sentidas,
muito mais gestos foram feitos.
Criativamos.

E ao menos isso
nos resta.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

"Devo contar que gosto dele?" - Fluxograma de Possibilidades

Postado por MissHachi7 às 09:26 0 comentários

   Crianças, falemos sobre possibilidades. Sim, um assunto infinito. Então falemos sobre algumas possibilidades.
   O simples fato de termos múltiplas escolhas para praticamente todos os aspectos da vida tornam o ato de decisão um fardo. Escolher significa abrir mão das alternativas. E não é como se pudéssemos fazer um test drive a respeito das consequências de cada opção. Escolhemos e vivemos com a escolha, e se não formos do tipo definitivo [e meio inumano] que não se arrepende, podemos passar muito tempo [dias, meses, vidas, quem sabe] pensando em como teria sido se tivéssemos escolhido outra possibilidade.
   Ah, não queiram cair no "e se". Tanto já se falou a respeito disso... Arrependimentos desse tipo não servem para nada.
   Arrependimentos não servem para nada, aliás. Ações para consertar sim, arrependimento não.

   Enfim.

   Algumas coisas simplesmente não podem ser consertadas, não importando o quanto queiramos voltar atrás e repará-las. E é aí que entram as possibilidades.

   Um amigo meu estava me contando outro dia que fez um fluxograma de possibilidades para prever minimamente quais poderiam ser as consequências de uma atitude que queria tomar. Por um momento eu fiquei boquiaberta com isso, quer dizer, quem faz fluxogramas para tomar decisões? Aja como um ser humano arruinado pelo meio em que vive, homem, tome decisões às cegas e depois culpe seus pais por tudo que der errado, oras. Depois percebi que essa era uma forma relativamente segura de se certificar [ao menos] de que você não está fazendo algo absurdo.
   Reflictamos.
   Como exemplo, vamos pegar minha vida [que anda uma zona caótica, turbulenta, bagunçada, de cabeça para baixo e meio úmida, o que causou mofo também]. Eu estava num dilema muito característico da adolescência [na qual eu ainda me encontro, fodam-se todos vocês que insistem em me dizer que sou adulta, sou o caralho], e não sabia se devia ou não contar para um cara que estava gostando dele.

Aliás, vamos fazer um adendo aqui. Desde quando adultos criaram regras para esse tipo de coisa? Que eu me lembre, se você gosta de alguém, você:
       a)   Morre com isso entalado no peito;
       b)   Conta de uma vez para a pessoa e sai correndo;
       c)   Não comenta com ninguém e espera que os deuses façam uma macumba louca que deixe o Alguém apaixonado por você e aí vira problema dele.

   Mas não, para o mundo adulto [no qual aparentemente estou inserida], quando você diz que gosta de alguém, isso implica esperar uma resposta da pessoa, e depois que eu saí correndo houve uma certa surpresa por parte do envolvido... Deixemos isso para lá. Voltemos ao caso.
   Se eu tivesse sido mais inteligente [ah, céus, quantas vezes eu vou começar frases assim? Que vida...] e feito um maldito fluxograma, talvez eu chegasse a conclusão de que era melhor não contar nada.

    Claro que como fui eu quem fez esse lindo [e ainda jovem] fluxograma, talvez ele não condiga muito com as possibilidades reais. Porém venhamos e convenhamos, não é melhor saber?
Se você seguir a lógica incontestável do meu fluxograma vai contar pro seu X que gosta dele. O que pode acontecer?
a         a) “Eu também gosto de você!” – essa é linda e ainda não aconteceu comigo, mas ei, cada qual é cada qual.
           b)   “Poxa, eu não sinto o mesmo.” – essa é comum, e vem com algumas variáveis como “Não é você, sou eu” ou “Eu tenho namorada, sua louca”, depende do caso.
         c) “COMO ASSIM? É SÉRIO?” – essa é bem incomum, porém aconteceu e foi tudo o que consegui. Então ainda não sei se isso vai levar à alternativa a ou b. Oremos.

    De qualquer forma, vocês pegaram o espírito da coisa. Se não for o que você esperava, pelo menos você pode começar a superar. Se nunca tentar, o pensamento vai apodrecer na sua cabeça e começar a feder e todos os que estão por perto vão reclamar. Pense bem nas possibilidades e se ninguém for morrer, ficar seriamente machucado ou ofendido, faça. É melhor do que amargar os “e se” mais tarde.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Incentivo ao Devaneio / Como Lidar com o Tédio

Postado por MissHachi7 às 12:56 0 comentários
Como uma pessoa que passou de um ambiente cheio de obrigações e responsabilidades para um em que meu único dever é estudar, e como nem assim eu passo 100% do meu tempo estudando, sei muito bem o que é tédio, e quero compartilhar atividades [nem sempre úteis, porém preenchedoras de tempo] para que vocês também possam se sentir menos entregues ao passar das horas!



OBS: esta publicação incentiva de alguma forma que você ou seus filhos ou seus amigos deixe de estudar para desperdiçar tempo - porém, forneço estas informações na firme crença de que só serão utilizadas em caso extremo de ócio. Não venha encher meu saco se a grandessíssima tentação de aproveitar minhas várias ideias fabulosas para passar tempo fez com que você, como eu, tirasse zero em algumas avaliações. Tenha um bom dia! Ou vá se ferrar!



- não tenha uma tevê, isso só te emburrece;
- desenvolva um hobby que não seja caro, porque senão ficamos à toa e pobres;
- organize suas roupas por cor - não me importa se elas ficarem no chão, só organize por cor (todos sabemos que as únicas roupas que permanecem no guarda roupa são aquelas que não usamos sob hipótese alguma);
- mude a ordem dos móveis do seu quarto - no meu caso, não tem como, mas se tivesse, eu já teria feito isso há séculos;
- faça abdominais [brincadeirinha];
- comece um desenho de 2x3m e trabalhe nele sempre que não tiver nada para fazer;
- faça um curso de alguma coisa aleatória online, como "italiano em cinco passos" ou "como organizar o seu orçamento familiar";
- deite na cama e pense a respeito dos seus fracassos na vida, remoa cada ódio e depois de dois minutos sinta tanta raiva que suas baterias serão recarregadas instantaneamente! levante! vá viver! conserte tudo! apare as arestas! comece do zero! resista!;
- verifique se não tem ninguém em casa, e cante todo o musical "A Família Addams" a plenos pulmões - foque nas partes mais mórbidas e enuncie com vigor cada "mooooooorto pra sempre pooooodre do ventre hooooje eu apareci" - seus vizinhos terão cultura, quer queiram, quer não;
- alugue um filme que renda conversas depois - isso significa NADA DE PORNOGRAFIA [se bem que quem aluga pornografia, né? internet tá aí pra isso];
- faça experiências de química simples, como montar um vulcão com detergente, vinagre e corante, claro que sobre sua cama, claro que com cuidado para não manchar seus lençóis, porque, só para relembrar, quem tem que lavar depois é você;
- monte uma lista com todos os livros que você quer ler em 2014;
- opa, leia um livro;
- pense em três atividades que você pode tornar mais simples para facilitar seu dia a dia a fim de conseguir mais tempo à toa.



    Pessoas, George Carlin [e outros também, mas gosto mais do George Carlin] dizia que a melhor forma de ajudar suas crianças a se saírem bem na vida era deixá-las em paz, dando pelo menos três horas de devaneio por dia - o ócio criativo é muito melhor do que superlotar o dia das pobrezinhas com atividades obrigatórias [karatê, dança, canto, alemão, piano, patinação no gelo, dialetos caninos]
   Talvez ainda dê tempo de nos salvarmos dos danos causados pelos nossos pais, passando um tempo refletindo, tendo marés e tsunamis mentais. Não necessariamente três horas por dia, mas meia hora que seja provavelmente vai mudar seu humor. ABRA SUA MENTE.
 

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