sábado, 16 de agosto de 2014

FAZENDO AMIGOS, CONQUISTANDO PESSOAS, HELL YEAH or not.

Postado por MissHachi7 às 18:36
Duas semanas em Belo Horizonte! 
A pergunta que não quer calar: "O que está achando?"

Olha, para não ser acusada de pessimismo, vamos deixar assim: é um lugar de que eu poderei vir a gostar bastante. 


Ah, mas por que não está amando, porra?

Motivo muito simples: eu me sinto extremamente solitária.
EXTREMAMENTE.

Nesses 15 dias, o que mais ouvi foi a assertiva de que a parte mais importante de uma graduação é o contato que se trava com outras pessoas [e não ficar travada com pessoas - entendeu a piadinha?], e não sei se estou quebrada de alguma forma, ou se é o fato de estar em meu inferno astral...
Sem querer tirar uma com a minha própria cara, mas no começo do ano, quando me mudei para Araxá, em duas semanas eu já tinha pelo menos duas amigas de infância.

Reconheço, é claro, que é complicado encontrar quem aprecie minimamente meu senso de humor bizarrinho, e teorizo [em favor da minha própria autoestima] que o fato de estar em um lugar maior torne a probabilidade de ter contato com essas raras personalidades que batam [positivamente] com a minha seja mais baixa, e é apenas por isso que não pude encontrar, na faculdade, quem assim seja. 
Como já disse antes, aqui na república tenho duas pessoas maravilhosas com quem me dou muito bem - aliás, se não pudesse contar com as palavras e ouvidos delas, a essa altura já teria enlouquecido e começado a falar com paredes [na frente dos outros] ou algo assim. 

Conversei com alguns amigos meus e todos eles foram categóricos. 


Olha, Hachi, se você quisesse mesmo enturmar, era só ir às festas, encontros, badalos da sua turma, porra. Fica aí de mimimi e não se esforça, caralho. 

Excelente argumento. 
Não sou exatamente uma pessoa de festas, no entanto não é isso que me impede de sair com a galere. Eu tenho medo [medo, mesmo, de ficar com a boca seca e sentir os pés colados no chão] de andar à noite aqui. Apesar de ser um bairro bem tranquilo [para os padrões gerais], tem o de sempre: gente vendendo droga, usando droga, gritando com você, e tudo isso meio dia, duas da tarde. Ainda não quero ver como fica à noite. E é só por isso que não saio. Próximo argumento, fazendo favor.



Ah, Hachiko, você não tem que sair à noite, mas entrosa enquanto está na faculdade, cacete, tem tanta gente lá, não é possível que você não entabule conversa com pelo menos uma pessoa.

___________________PAUSA___________________

Eu lembro de uma vez estar falando com o Apollo sobre gente que se apavora no início das aulas pra entrar nas panelinhas [o papo aconteceu quando eu estava ainda no primeiro colegial, eras atrás], e fica louca andando atrás de quem já conhece o lugar para poder se assentar numa categoria, poder sentir que pertence ao ambiente por osmose, por estar perto de quem já tem confiança suficiente para estar sozinho. Lembro dele dizer "as pessoas acham que duzentos dias letivos não são suficientes para se conhecer, por isso o frenesi da primeira semana". E aí penso, eu estou nesse frenesi, que vergonha, eu agindo como uma pessoa mal chegada no ensino médio em pleno curso superior, palmas para mim.


Quem me lê [vocês existem?] sabe que eu estou numa angústia entediante com essa questão de amizades e convivência, não por não gostar das pessoas, mas por achá-las incríveis e não saber me aproximar de uma forma agradável [ou neutra, que seja]
Então eu acabo sendo a que tenta contribuir para alguma conversa dando exemplos que assustam, ou dando uma opinião que contraria quem está conversando, ou que desagrada. E como ficar calada não é uma opção, talvez isso esteja me afetando negativamente. O que eu decidi? Mudar. Melhorar. 



[Isso está ficando comprido, né? Vai lá, bebe um copo d'água e volta daqui a pouco, eu espero.] 


Voltando a Apollo, ele sempre tentou me consertar. Nunca chegou a conseguir, mas seus esforços foram notáveis, contínuos, e sua principal intenção era me tornar uma pessoa mais resistente em relação ao que acontece do lado de fora de mim. Ele chamava isso de ter "fibra moral", e eu me recusava peremptoriamente a ser assim, porque considerava a minha sensibilidade uma qualidade. 
Não durou muito, porque ser sensível implica saber filtrar o que você permite atingir seu âmago, e eu não tinha esse filtro - tudo que acontecia me acertava em cheio, e eu adoecia porque somatizava sentimentos. Porque não tinha fibra moral para lidar com o que se passava do lado de fora, passava tudo para dentro e não sintetizava nada de forma adequada.
Apollo fazia isso com carinho, eu tenho certeza, porém eu não sentia carinho. Não era como se ele estivesse me ajudando, era como se estivesse me atacando [eu sei, criancice, mas é errando que a gente aprende]
No momento tem outra pessoa fazendo mais ou menos a mesma coisa por mim, contudo, usando de um pouco mais de gentileza. O princípio é o mesmo: me mostrar que o mundo não é fácil nem bonito o tempo todo, então eu deveria saber me proteger dele sem fugir.

Reconhecer tudo de cruel e ruim que existe, sem ficar cega para o que há de bondoso e doce.


Caralho, Aline, aonde você tá indo? 

Calma, a história é boa, escuta.

Agora eu não me sinto atacada nessas sugestões de mudança, eu me sinto motivada [vê o tamanho da encrenca que é lidar comigo?]. E essa pessoa tem me indicado muito adequadamente quais adequações eu deveria fazer na minha atitude, sem tentar mudar minha essência.

Isso significa: não diz para eu deixar de defender o que eu acredito, mas para fazê-lo usando palavras menos agressivas; não me acusa de rabugice, me diz para sorrir. 

Uma vez disse que eu preciso mudar minha "cara de discussão"
Sem ver, quando estou falando sério, minha expressão se fecha numa carranca. Nunca tinha percebido isso, mas talvez assuste quem não me conhece, mesmo: lá está, a Aline sorridente e feliz, você lança um assunto por que ela se interessa, a cara dela vira a mesma de um lutador de MMA para falar a respeito.

_________________FIM DA PAUSA__________________

O que eu quero dizer é que eu estou aprendendo [bem aos poucos] que ao lidar com gente de fora, não posso me dar o luxo de esperar que gostem de mim como eu sou com gente de casa. Meus irmãos vão me amar apesar do meu sarcasmo, porque é a obrigação deles. Ninguém mais vai ouvir uma resposta malcriada  e continuar falando comigo, simplesmente porque eles não precisam de mim. E se eu mantiver essa atitude, aos poucos não terei com quem conversar [o que já está acontecendo, devo acrescentar].



A moral da história [aleluia] é que às vezes temos que mudar, sim, para as coisas melhorarem. Não porque alguém sugere a mudança - eu precisei disso porque sou teimosa demais para começar algo do tipo sem um empurrão - mas porque assim fica mais fácil pro Universo deixar fluir para a nossa vida tudo de bom que merecemos. Não adianta só orar por melhora, é preciso investir em melhoria.
Vou começar melhorando a única pessoa no mundo que posso mudar: eu.

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