segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Nervos em frangalhos

Postado por MissHachi7 às 19:08

Como vocês sabem, eu nunca morei tão longe, nem em uma cidade tão grande. E tem sido no mínimo chocante. Eu tenho uma tendência [bem conhecida por você, se já me lê há algum tempo] de exagerar, mas nada precisa ser aumentado aqui em Belo Horizonte. Tudo já é o máximo do que pode ser. E não, não é exatamente um elogio. Barulho, tamanho, pessoas. Hoje no caminho para a faculdade um cara imitou minha risada, e talvez meus nervos estejam meio abalados, mas eu quis chorar.
Ontem à noite, conversando com as meninas com quem eu moro, fui avisada de que se eu atravessasse a rua sem olhar para os dois lados, morreria. E, de novo, talvez eu esteja meio desconectada da realidade, mas na hora pensei que fosse meio que um feitiço que tinham jogado na cidade, se você atravessa sem olhar para os dois lados, cai morto. Só depois de uma encarada séria das duas eu percebi que o risco era de que eu fosse atropelada. Bom, fazia mais sentido mesmo.
Na faculdade em si eu me senti ainda mais perdida. É gigante. Eu só não me perdi porque a Gabriela [que mora comigo] estava lá ajudando com um pouco de coordenação geográfica - sim, porque mesmo com uma porra de um mapa em mãos eu não consegui encontrar o prédio que estava procurando. Não me surpreendeu o fato de existirem ônibus de circulação interna, eu levei o mesmo tempo andando da minha casa até a portaria e da portaria até o salão que procurava. Isso me deu náusea. 
Conheci alguns dos meus futuros colegas e foi um alívio - não que eu esperasse o contrário, já havia trocado impressões com eles virtualmente, mas foi ótimo ver gente sorridente e sem neuras [ah, todo mundo tem neuras, eu principalmente, mas nada transparente, entende?]. Eles zoaram meu sotaque. É, aparentemente eu tenho sotaque. Isso meio que me deu uma sensação de que eu devia ficar calada, porém em geral me é custoso calar a boca. E é como eu disse, acho que estou sensível ainda, porque quis chorar com isso.
Sentamo-nos numa graminha amigável no bloco da engenharia e tudo correu bem, até que os veteranos começaram a escrever nos calouros. Os clássicos "burro" e "minas comanda", mas eu achei melhor ir embora antes de começar a chorar na frente dos outros, porque né? Que excelente primeira impressão, Hachi.
Enquanto eu saía lentamente [sim, lentamente, não apenas porque não consigo correr, mas principalmente porque a pressa te denuncia; se você quer sair sem ser notado, não pode mostrar que tem urgência em cair fora: deve sair como se tudo estivesse bem e maravilhoso], ouvi alguém gritar "CALOURA!" a uns 30 metros de mim. Não me virei. Meu nome não é caloura. 
No caminho de volta consegui me perder, e tive que refazer uma parte do trajeto. A essa altura eu sinceramente queria desabar, deitar no chão mesmo e me embolar em mim, ou só entrar em pânico, mas o estresse de atravessar ruas não deixava as lágrimas saírem. Quando finalmente cheguei no meu edifício, errei as chaves, custei entrar, enfim. 
Estar no meu quarto foi uma experiência de paz inédita para o dia. 
Então eu chorei.
E não sei bem como isso soa, provavelmente é frescura mesmo, porque no fundo eu sinto que estou fazendo a coisa certa. Não a respeito do dia, mas a longo prazo. Estar aqui, sabe. Estou feliz, mãe. Eu só estou com medo agora, porque não conheço as pessoas, e esse negócio de não poder confiar em ninguém meio que me dá vontade de não sair da cama, de poder ficar o tempo todo só falando com quem eu conheço, de ficar só mandando mensagem pra gente que diz que me ama e que vai ficar tudo bem.
Detesto soar tão fraca e desolada, ainda mais porque tudo está, sim, certo e correndo bem. É só dentro da minha cabeça, mas infelizmente minha cabeça é onde eu passo 100% do tempo... Isso passa. Espero voltar logo com zoeiras mil para você.

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