sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Hachi en Salvador

Postado por MissHachi7 às 23:02
Eu sei, eu sei, sou uma vadia negligente que some e deixa vocês... bem, talvez até melhores do que quando estou escrevendo, mas senti saudades e espero que alguém tenha sentido minha falta também!
Sumi porque estava em Salvador, e como um pedido de desculpas, mas ao mesmo tempo um foda-se [carinhoso], quero fazer alguns comentários a respeito dessa viagem.

 Imagine uma família de seis pessoas, dessas, quatro crianças [grandes], com muitas bagagens, em 30 horas de carro pelos caminhos escaldantes do norte de Minas e parte da Bahia. É, 30 horas. Uma das ideias mais erradas que meus pais já tiveram, mas claro que estávamos empolgados.



 Para lhes dar uma real noção do que foi, saibam que eu tenho 1,75m e 113kg, minha irmã tem 1,68m e Xkg [ela me mataria se eu publicasse isso], meu irmão tem 1,95m e é magro, mas comprido pra caralho e teve que ficar encolhido no banco atrás da mamãe. Ayana [a mais nova] é pequena, mas foi lá atrás com a bagagem, o que foi muito divertido porque as coisas caíam em cima dela ocasionalmente. Antes que alguém me processe, nosso carro foi feito para ter pessoas andando onde ela foi, não a trancamos no porta-malas.

 Enfim, depois de 12 horas no carro já estávamos grudentos de suor, roucos de tanto cantar músicas irritantes e exaustos, espremidos. Paramos para dormir num hotel, mas pareceu que assim que conseguimos desfazer os nós dos nossos músculos para dormir bem, já estávamos de volta ao carro e enfim, para ser sincera, a ida foi bem mais legal que a chegada em si.



MOTIVOS

1- sempre que começava a música "Uma vez mais" do Ivo Pessoa a mamãe aumentava o volume e eu cantava a plenos pulmões, apenas para acordar meus irmãos.
2- quando entediados, começávamos a cantar 

99 garrafas no muro
99 garrafas!
Pega umazinha, 
toma um golinho,
98 garrafas!
98 garrafas no muro
98 garrafas!
Pega umazinha, 
toma um golinho,
97 garrafas!
97 garrafas no muro... 
[vocês entenderam].

E papai estava enlouquecendo quando chegamos no 60, e criou um desafio, mudando algumas palavras da música para que não conseguíssemos pronunciar mais porra nenhuma, mas acabamos aprendendo e ela ficou assim

99 pipotes na pirambeira
99 pipotes!
Pega umazinha
Experimenta uma talagada 
98 pipotes!

e continuamos cantando do mesmo jeito, aumentando a velocidade à medida que fomos acostumando...



3- quando passamos por Teófilo Otoni, vimos toda a ovação em relação às pedras preciosas e o lema de lá, "agora lapidando pessoas", e quando Ayana começou a choramingar porque estava demorando demais pra chegarmos, ameaçamos deixá-la em "Teófilo Ofófilo" (como ela desembestou chamar o lugar) para ser lapidada. 

"- E o que é lapidar?
- É basicamente tirar tudo que tem de ruim para ficar só o que é bonito.
- Ah...
- Ou seja, não vai sobrar nada de você." - mamãe ralhou conosco, mas valeu a pena.



4- de vez em quando Ayana, que ficava meio separada do resto de nós, lá atrás, fazia comentários engraçados. Anotei alguns:

"Acho que sou um réptil, minhas unhas são tão grossas..."

"Mesmo quando a gente não quer ir ao banheiro, acho que é só a gente ir, mesmo sem vontade, que dá tudo certo, né?"

"Mãe, a palavra "imputar" é um xingamento?"



5- me deixaram cantar todas as músicas que eu quis, mas só na ida, porque ainda estavam com saudade de mim, depois só rolou sertanejo.

ENFIM

Na praia nunca acontecem coisas diferentes.

exceto ver o mar
e areia em todo lugar
literalmente



O que merece ser anotado:

1- uma pedra veio com uma onda e passou em cima do meu pé, que começou a sangrar- mas ainda bem que a água era salgada, aí não doeu nem um pouco mais do que o necessário.
2- eu dormi no sol e depois disso não consegui receber nem um abraço sem chorar de dor - é, eu não sirvo nem pra tomar sol.
3- nós enterramos Ayana na areia e papai moldou uma sereia ao redor dela, e outras crianças apareceram dando pitaco, e estávamos nos divertindo, mas um cachorro chegou perto dela e ela levantou correndo, gritando, e aí acabou.
4- mandamos Ayana cavar na areia um buraco e um siri saiu de lá, ela quase morreu de susto, foi muito engraçado.
5- derrubamos o celular da Ananda na areia e ela quis nos matar.
6- eu não sei nadar.



Pausa para diplomacia

Tem coisa legal pra caramba em Salvador, apesar de eu ser o pior tipo de turista que existe para se ir a qualquer lugar. Nós fomos ao Farol da Barra, ao Pelourinho, Praça da Sé, Elevador Lacerda, Mercado Modelo, mas entre um e outro emburrei porque estava cansada e não queria mais andar - em minha defesa, minhas costas estavam ardendo como o inferno e eu estava de chinelos-, e a câmera fotográfica tem Aline fazendo bico e meio chorosa em quase todo os pontos turísticos mencionados [é, eu sei que tô velha pra esse tipo de atitude, mas, reforçando, sou o pior tipo de turista]. Por mim a gente ficava na casa da tia Valéria assistindo filmes o dia todo. No máximo ia até as dunas, porque a areia é fininha e não tem cheiro de vida marinha que não é mais vida, se é que me entende.

Fim.

Na volta, eu comecei a encher de bolhas por causa das queimaduras e fiquei parecendo um sapo se tornando uma pessoa. E Ayana disse que parecia contagioso, então eu fiquei encostando nela e levei uma bronca. Ao argumentar que ela estava me implicando antes de eu começar a implicá-la, minha mãe me lembrou de que eu tenho 20 anos nas costas e ela só tem 8. Irrelevante.



Outra coisa legal da volta foi que eu ganhei um cacto [o Otto, que vocês já viram].
E passou MUITO rápido, porque estava com as pessoas que mais amo no mundo... 

PS: no ônibus de volta para BH, um senhor comentou que eu estou parecendo uma cobra em fase de muda, porque comecei a descascar. 
PS2: agora que quase toda a pele morta já saiu, até que estou com uma cor bonita.
PS3: o melhor video-game, mas o da rep estragou [ba-dum-tss]

E se você não morreu de tédio lendo até aqui, merece um abraço de urso. Obrigada!




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