segunda-feira, 27 de abril de 2015

Engenharia de Minas e Hachi

Postado por MissHachi7 às 22:11
Muita gente não entende por que eu decidi ir por um caminho como a engenharia, e mais especificamente a Engenharia de Minas. E como eu mesma andei me questionando esses dias, pensei que talvez fizesse sentido tentar explicar o que me atrai nessa área, e espero que isso ajude alguém que possa estar em dúvida, principalmente vestibulandos, por quem eu tenho um carinho especial, pois todos nós nos lembramos do pânico que eu tinha enquanto prestava provas para mil cursos diferentes sem saber o que queria da minha vida, do mundo, etc. E se minhas linhas de raciocínio desencapadas puderem ser úteis, será um grande prazer e uma honra pra mim. 

Antes de mais nada, de que se trata a Engenharia de Minas [usando minhas palavras, então não venham vocês perfeccionistas cortarem o meu barato]: trata-se de extrair e tratar minérios de forma ótima, causando o mínimo de dano e o máximo de retorno econômico. Existem definições bem mais precisas, mas essa parte me atrai bastante. Já chega causando a polêmica a respeito da profissão, né, o tema de discussões familiares que me dá náusea.

"Ah, a mineração só causa danos ao meio ambiente, deviam reconstituir tudo ou parar de extrair!"

Olha... *SUSPIRO* 

A mineração não é a única atividade econômica que causa danos ao meio ambiente, e tudo isso é extremamente relativo; a agricultura causa bem mais danos, em vários aspectos, mas não recebe tantas críticas por um simples motivo: política. Para usar apenas argumentos fáceis, os danos causados pela mineração são menores em área atingida, em tempo de utilização da área em questão é menor e a legislação que rege as ações quanto à recuperação do local são bem mais rígidas, em relação à agricultura. Mas fale em diminuir a produção de alimentos e todo mundo pira. 

Por uma simples questão de ignorância [ou escolha de não compreender... não sei exatamente o que se passa na cabeça da galera], não fazem associação entre tudo que é utilizado para sobreviver e a mineração. "Se você não pode plantar, você precisa minerar." E pra plantar, você precisa ter minerado antes - a mecanização nas lavouras só é possível graças à existência da extração, tratamento e beneficiamento de minérios. Adubos, equipamentos, mesmo se você quiser usar só uma pá. E de plástico! Tem que minerar, gente.. Os ambientalistas radicais estão postando rage-comics sobre mineração diretamente de seus computadores que só existem graças à ela mesma. É quase um deus bondoso observando seus filhos ignorantes [hahaha]

A questão ambiental não é uma opositora da atividade mineradora em si - todo trabalho legal [do tipo, dentro da lei... porque tudo ligado à mineração é legal do tipo "maneiro"] na área só é levado adiante com planos de fechamento de mina que respeitem as legislações [que, repito, são muito rígidas], e todo o planejamento leva em consideração o que será feito do local após o encerramento das atividades, porque não estamos falando de garimpo aqui, pessoas.

E sobre reconstituir tudo, isso é impossível. Eu mesma levantei essa questão numa aula de introdução à mineração: e o micro-clima? e a biodiversidade? e o relevo? - pentelho mesmo, podes crer.

É, não vamos poder refazer tudo. Mas aí entra novamente a questão da área ser relativamente pequena [prestem atenção no RELATIVAMENTE, pessoas] e no que tange a biodiversidade, a legislação tá aí, né. Em áreas de proteção permanente e proteção ambiental há regras específicas, que protegem a fauna e a flora - em alguns locais inclusive é proibida a mineração, para não perturbar o equilíbrio e tal. 

Mais uma vez, só para acalmar corações agitados, eu estou falando como uma Aline, ou seja, não sou Engenheira de Minas ainda, e tenho conceitos bugados e uso palavras feias como "tipo", mas creio que ainda não ofendi ninguém. AINDA.

Uma preocupação premente dos professores de matérias específicas - as quais não temos ainda, obrigatoriamente, mas conhecemos os professores, puxamos umas disciplinas de períodos mais avançados, fazemos o que podemos - é nos lembrar sempre do caráter otimizador da nossa futura profissão: aumentar a recuperação no tratamento dos minérios, reduzir os rejeitos, buscar os melhores processos para reaproveitamento de água e menor gasto de energia - tudo em prol do meio ambiente e, não sejamos hipócritas, do lucro. Então não sei como é que as pessoas enfiam na cabeça que quem trabalha com mineração tem um prazer sádico em derrubar árvores. Estudamos para tornar tudo o menos degradante possível, gente. Pesquisem!

Outra coisa maravilhosa sobre a Engenharia é que podemos atuar em várias áreas - campo, gerenciamento, academia, onde a gente quiser. 

Eu, particularmente, cheguei chegando querendo trabalhar com perfuração e desmonte. Mas aí descobri toda a treta que é lidar com explosivos e mineração subterrânea, então refleti um pouco mais e pensei: por que não gerenciar as tretas? E puxei umas matérias da Administração [curso que desprezava porque me lembrava um idiota aí, mas é fantástico] sobre gerenciamento de projetos, e aí vi que não é brincadeira, e talvez eu não tenha nascido pra isso - só talvez, porque ainda não acabou o semestre, veremos. Então estou olhando de rabo de olho pra área acadêmica. Claro que os dentes rangem só de pensar em passar mais de dez anos na faculdade, mas ei, eu só estou aqui há oito meses... E já não aguento mais.

Esse é o post mais comprido e mais cheio de nadas que já escrevi, mas se ainda tem alguém lendo até aqui, vai ler mais um pouco. Se quiser ir beber uma água eu espero aqui. Se quiser parar de ler não tem problema também, não.

Faculdade é o máximo. Puta merda. É milhões de vezes melhor que o Ensino Fundamental e infinitas vezes melhor que o colegial. Sério. Você é mais esperto, mais divertido [talvez], conhece pessoas que se parecem mais com você e não é obrigado diretamente a nada. Não tem professores andando entre os alunos pressionando quem não fez tarefas [bom, tem alguns que fazem isso, mas esses não esquecem os tempos em que deram aula pro colegial], não tem [hã, muito] bullying, não tem tantas matérias nada a ver que você engole só pra "passar no vestibular". Mas essas últimas são substituídas por matérias nada a ver que você deve engolir se quiser passar pro próximo período. 

No caso das Engenharias, temos o ciclo básico que é matemática, química e física. Com nomes mais assustadorezinhos, mas é isso. E ninguém é retardado o suficiente para entrar pra um curso que tem isso no ciclo básico se não gostar ao menos um pouco dessas três matérias. Exceto eu, que desde que o mundo é mundo venho aqui falar que odeio Exatas e tudo que tem número [tem a ver com a negação do meu peso? talvez], e entrei pra essa bosta, mas todos sabemos que sou uma idiota mesmo. O foda é que eu AMO esse curso. A.M.O.


E não desisti ainda por alguns motivos:
a) se eu desistir de mais um curso, serei deserdada pelos meus pais;
b) não aguento mais ser caloura;
c) imagina que louco trabalhar com rochas e explosivos e pessoas que sabem lidar com rochas e explosivos.


E na verdade a verdade [sim, essa frase foi escrita e relida] é que só a alternativa C é verdade [sim, verdade de novo] porque minha mãe me pergunta se eu quero desistir e ir embora pra Uberaba toda vez que ligo pra ela chorando. E sobre ser caloura, depois da milésima vez que alguém te chama de caloura, você para de se importar [isso é mentira, nem sei por que falei isso, mas não vou apagar, já falei tanta merda mesmo]. Eu só quero ficar pelo curso. 

Eu só aguento as aulas de Cálculo insuportáveis porque a Engenharia de Minas é incrível demais pra eu parar porque não sei limitar, derivar ou integrar. Vou aprender, né.
Eu só aturo a Introdução à Física Experimental, com seus relatórios nojentos, valores seguidos de incerteza e unidade e professor que fala espanhol porque preciso sobreviver à ela pra chegar nas matérias específicas da linda e gloriosa Engenharia de Minas, com a Mecânica das Rochas e suas magias.
Eu só vou à aula de Química Inorgânica porque... bem, porque é muito foda. E útil. Mesmo com a professora gritando comigo e rindo das questões que eu respondo errado na prova, e tal. É muito incrível. 

Então, esse negócio de desistir porque está difícil... Gente, eu penso nisso todo dia. Juro. Penso todo dia: acordo, olho pro teto, lembro que tem aula de cálculo e queria estar morta. Mas aí a Maria Clara vem aqui em casa, me arrasta pra fora da cama, me dá uns tapas [morais, porque ela é uma dama e não faria isso de verdade... hã, e eu sou três vezes o tamanho dela] e me faz voltar à realidade. 

Ninguém ama o ciclo básico. Se você ama, eu julgo você. 

Mas sem ele a gente não chega na parte legal do curso. Então firmem o golpe, jovens. Desculpa pelo post tão ridiculamente e desnecessariamente longo. E cheio de não-dados. Ah, manda eu me foder. Aqui vai uma batata fofa:





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